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Apoio de Bolsonaro queima filme de Milei na Argentina, diz CEO de instituto de pesquisa

Avaliação é de Andrei Roman, diretor-executivo da Atlas Intel, o único instituto de pesquisas que previu a vitória de Sergio Massa na primeira etapa do pleito

Javier Milei e Eduardo Bolsonaro
Foto: Reprodução

No dia 2 de setembro, o Jornal do Brasil publicou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), rodeado de problemas com a Justiça e a Polícia Federal, era tido como o pior cabo eleitoral de São Paulo. Pois seu toque de Sadim (tornava chumbo qualquer coisa que tocasse) não se restringe apenas ao Brasil.

Na Argentina, que está em meio a uma disputa eleitoral polarizada entre o peronista Sergio Massa e o ultradireitista Javier Milei, o apoio do ex-capitão impediu o candidato de extrema-direita a avançar em primeiro lugar ao segundo turno, que será realizado em novembro. A avaliação é de Andrei Roman, diretor-executivo da Atlas Intel, o único instituto de pesquisas que previu a vitória do atual ministro da Economia na primeira etapa do pleito.

"A minha avaliação é que o apoio de Bolsonaro tira votos. Vamos adicionar essa pergunta na próxima pesquisa para testar a imagem do ex-presidente brasileiro na Argentina. Não há apoio majoritário para o Bolsonaro naquele país. No caso do Bolsonaro, a rejeição se dá por conta de um governo considerado caótico, principalmente no contexto da Covid-19”, disse Roman em entrevista ao jornal O Globo.

Roman ainda declarou que “a pauta armamentista é rejeitada no país”, em referência ao fato de uma entrevista do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à TV argentina C5N ter sido interrompida neste domingo (22), enquanto ele defendia a flexibilização do acesso a armas.

Na opinião de Roman, a declaração do filho 03 do ex-presidente pode ter contribuído com o resultado das urnas que registrou o candidato do partido La Libertad Avanza seis pontos atrás do postulante do Unión por La Patria. Além disso, o CEO destacou a dificuldade enfrentada pelos apoiadores brasileiros de Javier Milei ao tentar compreender que a pauta conservadora de costumes não necessariamente agrega votos para o candidato de extrema-direita no país vizinho.

“A Argentina é muito mais progressista que o Brasil, em termos de valores. Quase 70% do eleitorado apoia o casamento gay. Há temas que são capitalizados no Brasil por uma direita evangélica que, na Argentina, não existem, porque lá não há esse segmento. Isso é algo que os apoiadores brasileiros do Milei não entendem”, explicou Andrei Roman.

A análise sugere que o candidato de extrema-direita consegue se destacar no cenário político “por conta da insatisfação dos argentinos com um governo que cometeu erros no plano econômico e não por questões de valores sociais e conservadores”, concluiu o diretor da Atlas.

A maioria das pesquisas de intenção de voto na Argentina apontava Milei na liderança, mas um levantamento do Instituto Atlas Intel, publicado em 11 de outubro, indicava Massa em primeiro, com cinco pontos de vantagem sobre o ultradireitista.

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