ASSINE
search button

Brasileiros abrigados em escola de Gaza não conseguem deixar o local após ultimato de Israel

Grupo chegou a tentar ser removido do prédio quando os bombardeios se intensificaram no final da manhã desta sexta, mas ônibus que o levaria até o sul atrasou

Grupo de brasileiros abrigado em escola católica
Foto: Reprodução

Os brasileiros abrigados em uma escola católica na Faixa de Gaza decidiram que permanecerão no local, apesar do ultimato feito pelo Exército de Israel para que todos os palestinos se desloquem do norte para o sul da região nas próximas horas. O grupo chegou a tentar ser removido do ponto de acolhimento quando os bombardeios se intensificaram no final da manhã desta sexta (pelo horário de Brasília - começo da noite no horário local). No entanto, o ônibus que levaria os brasileiros até outra cidade, Khan Yunis, atrasou.

O chefe do escritório no Brasil na Cisjordânia, Alessandro Candeas, explicou que o veículo demorou para chegar a Gaza por conta dos bombardeios ininterruptos de Israel. Sem o transporte ou estruturas de acolhimento, eles ficariam em algum vilarejo no meio do deserto, sem comida nem água. Com a noite já avançando na região, o trajeto de 25km até Khan Yunis ficará ainda mais inseguro. De lá até a passagem de Rafah, único acesso ao Egito, são mais 16km.

A orientação é que o grupo deixe a escola na manhã deste sábado (14), pelo horário local - ainda de madrugada no horário de Brasília. O governo Lula já pediu a Israel que poupe o abrigo de eventuais bombardeios. Nas últimas horas, o grupo teve a adesão de novas pessoas que ainda não haviam se refugiado na escola: agora são 19 pessoas, sendo 11 crianças.

A diplomacia brasileira enviou um avião presidencial para resgatar seus cidadãos em Gaza, e também segue em negociações para viabilizar a abertura da fronteira com o Egito, mas o acordo com o país africano é considerado uma costura delicada.

O Egito reluta em abrir a fronteira com Gaza, temendo, com isso, receber milhares de refugiados palestinos no país. Israel, por outro lado, bombardeou a região de Rafah, onde fica a única rota de fuga, criando uma situação de extrema insegurança e dificultando ainda mais as negociações do Brasil com o Egito.

Desespero

Ahmad El Ajrami, um dos brasileiros que estão na escola, mostrou, em um vídeo feito na madrugada desta sexta (13), como estava a situação do local, totalmente no escuro pela falta de energia elétrica.

"Não tem energia. Não tem luz. Olha, gente", mostrou Ahmad.

Shahed, de 18 anos, se juntou ao grupo nesta sexta (13). Ela chegou à escola junto com a irmã de 13 anos e a avó, de 64 anos. Ela mostrou o desespero de quem não se sente seguro em meio à guerra.

"Estou desesperada. A situação está difícil, todo mundo está com medo. As crianças estão chorando, estou muito desesperada. Eu estou na escola e a irmã da igreja reuniu com a gente e disse que a escola não é mais um lugar seguro. Não podemos mais ficar aqui. Eu não quero morrer, gente", disse a jovem, entre lágrimas.

Compartilhar