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Israel bloqueia fornecimento de eletricidade, água, comida e combustível à Faixa de Gaza

Imprensa local apurou que Hamas negocia libertar mulheres e crianças reféns com mediação do Catar; Israel nega que haja diálogo

Mais de 120 mil palestinos deixaram suas residências em Gaza
Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, ordenou um "cerco completo" à - há muito tempo bloqueada - Faixa de Gaza nesta segunda-feira (9), enquanto suas forças lutavam contra militantes palestinos em cidades fronteiriças pelo terceiro dia e lançavam ataques de retaliação que atingiram uma mesquita e um mercado em Gaza.

Gallant disse estar “lutando com bárbaros” e afirmou que "não será permitida eletricidade, comida, água ou combustível" em Gaza, efetivamente isolando um território costeiro já sob um bloqueio de 16 anos e onde o braço armado do Hamas mantém pelo menos 150 israelenses como reféns.

Mais de dois dias após a incursão de militantes palestinos, a mais impressionante falha de segurança de Israel em décadas, o porta-voz militar-chefe, Contra-Almirante Daniel Hagari, declarou que o exército havia recuperado o controle das comunidades fronteiriças, mas reconheceu que "ainda pode haver terroristas na área."

Já o tenente-coronel Richard Hecht, das Forças de Defesa de Israel, reconheceu em uma coletiva de imprensa que os combates continuavam, dizendo: "Achávamos que estaríamos em uma situação melhor esta manhã."

Mais de 700 pessoas foram mortas em Israel e quase 2.400 ficaram feridas. Em Gaza, as forças israelenses lançaram centenas de ataques, inclusive em área residencial, destruindo prédios que as autoridades dizem estar ligados ao Hamas, o grupo fundamentalista que controla o território. Pelo menos 560 palestinos foram mortos, segundo as autoridades em Gaza, outros 2.900 ficaram feridos.

Israel mobilizou 300 mil reservistas, enviou tropas e tanques para o sul para se preparar para o que os militares disseram ser a próxima etapa da guerra, que pode envolver uma invasão terrestre à Gaza.

Já a ala armada do Hamas, as Brigadas Al Qassam, afirmou que quatro israelenses mantidos pelos militantes foram mortos em um bombardeio israelense durante a noite, junto com os palestinos que os mantinham cativos. A afirmação não pôde ser verificada de forma independente.

Os Estados Unidos, principal aliado bélico de Israel, anunciou no domingo que estava enviando munições adicionais e movendo mais navios de guerra da Marinha, incluindo um porta-aviões, e aeronaves de combate mais próximos de Israel como mostra de apoio.

Autoridades de segurança israelenses disseram que mais de 250 pessoas foram mortas em um festival de música no sábado, quando soldados do Hamas invadiram o local da rave, a quatro quilômetros da fronteira de Gaza. Vídeos mostram espectadores em pânico fugindo para o sul no deserto e mais de 100 veículos abandonados à beira da estrada.

Negociação para soltar reféns

Em meio à ofensiva contra Gaza, o Hamas negocia com o governo de Israel para libertar mulheres e crianças israelenses feitas reféns pelo grupo. No entanto, depois da veiculação da notícia, autoridades de Israel negaram qualquer conversa. A informação sobre negociação foi publicada por jornais israelenses e fontes da agência de notícias Reuters. Segundo a imprensa, o acordo aconteceria com a mediação do Catar.

As fontes disseram à agência Reuters que autoridades de Israel já falaram por telefone com representantes do Hamas para tentar negociar a liberdade para mulheres e crianças israelenses apreendidas pelo grupo militante. Em troca, o Hamas pede a libertação de 36 mulheres e crianças palestinas que estão presas em Israel.

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