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Ultrapassa 2 mil o número de mortos após mais letal terremoto no Marrocos em 60 anos

Em Marrakech, a cidade grande mais próxima do epicentro, os moradores passaram a noite ao relento, com medo de voltar para casa. Os edifícios da cidade velha, Patrimônio Mundial da Unesco, sofreram danos

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 09/09/2023 às 06:01

Alterado em 09/09/2023 às 21:14

Muitos danos na histórica cidade de Marrakech Reuters/Abdelhak Balhaki

Um poderoso terremoto no Marrocos matou mais de duas pessoas e feriu outras centenas, segundo as últimas atualizações, destruindo edifícios e fazendo com que moradores de grandes cidades abandonassem suas casas no tremor mais mortal do país em mais de seis décadas.

O terremoto de magnitude 6.8 (considerada forte e capaz de produzir grandes estragos) atingiu as montanhas do Alto Atlas, na noite dessa sexta-feira (8). O Ministério do Interior disse que, por enquanto, 1.037 pessoas morreram e outras 1.200 ficaram feridas, num número atualizado de vítimas. Uma autoridade local disse que a maioria das mortes ocorreu em áreas montanhosas de difícil acesso.

O órgão também afirma que o número de vítimas deve aumentar ao longo deste sábado (9), já que os trabalhos de resgate - dificultados por bloqueios e obstruções nas estradas - ainda estão em curso. Segundo o Itamaraty, não há notícia de brasileiros entre os mortos e feridos.

Em Marrakech, a cidade grande mais próxima do epicentro, os moradores passaram a noite ao relento, com medo de voltar para casa.

Os edifícios da cidade velha, Patrimônio Mundial da Unesco, sofreram danos. O minarete de uma mesquita caiu na Praça Jemaa al-Fna, no coração da cidade velha de Marrakech. Equipes de resgate cavaram nos escombros.

“Tudo é pela vontade de Deus, mas sofremos grandes danos”, disse Miloud Skrout, um residente.

Cerca de 150 pessoas, a maioria parentes dos feridos, esperavam do lado de fora de um hospital local. A maioria veio de áreas montanhosas fora da cidade, pois os hospitais locais não têm capacidade para tratar ferimentos graves.

“Ainda não consigo dormir nesta casa por causa do choque e também porque a cidade velha é composta de casas antigas”, disse Jaouhari Mohamed, morador da cidade velha de Marrakech, descrevendo cenas desesperadoras enquanto as pessoas fugiam em busca de segurança.

“Se um cair, fará com que outros desmoronem”, disse ele.

Uma turista australiana que se identificou como Tri disse que a sala começou a tremer. “Nós apenas pegamos algumas roupas e nossas malas e saímos correndo”, disse ela, segurando um travesseiro debaixo do braço.

O Ministério do Interior pediu calma, afirmando numa declaração televisiva que o terramoto atingiu as províncias de Al Haouz, Ouarzazate, Marraquexe, Azilal, Chichaoua e Taroudant.

Montasir Itri, morador da aldeia montanhosa de Asni, perto do epicentro, disse que a maioria das casas foram danificadas. “Nossos vizinhos estão sob os escombros e as pessoas estão trabalhando duro para resgatá-los usando os meios disponíveis na aldeia”, disse ele.

Mais a oeste, perto de Taroudant, o professor Hamid Afkar disse que fugiu de casa e sentiu tremores secundários. "A terra tremeu por cerca de 20 segundos. As portas abriram e fecharam sozinhas enquanto eu descia correndo as escadas do segundo andar", disse ele.

O centro geofísico de Marrocos disse que o terremoto ocorreu pouco depois das 23h00 (22h00 GMT) na área de Ighil, no Alto Atlas.

Foi o mais mortal em Marrocos desde 1960, quando se estima que um tremor tenha matado pelo menos 12 mil pessoas, segundo o Serviço Geológico dos EUA.

Ighil, uma área montanhosa com pequenas aldeias agrícolas, fica a cerca de 70 km a sudoeste de Marraquexe.

A televisão espanhola RTVE informou que os tremores do terremoto foram sentidos em Huelva e Jaén, na Andaluzia, sul da Espanha.

Governos de todo o mundo expressaram solidariedade e ofereceram assistência. A Turquia, onde fortes terremotos em fevereiro mataram mais de 50 mil pessoas, disse estar pronta para fornecer apoio.

Marraquexe deverá acolher as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial no início de Outubro.

DANOS EM MARRAKECH
Em Marrakech, algumas casas na densamente povoada cidade velha desabaram e as pessoas usaram as mãos para remover os escombros enquanto esperavam por equipamento pesado, disse o morador Id Waaziz Hassan.

Imagens da muralha medieval da cidade mostraram grandes rachaduras em uma seção e partes que haviam caído, com escombros espalhados pela rua.

Outro morador de Marrakech, Brahim Himmi, disse ter visto ambulâncias saindo da cidade velha e muitas fachadas de edifícios danificadas. Ele disse que as pessoas estavam assustadas e ficariam do lado de fora para o caso de outro terremoto.

"O lustre caiu do teto e eu fugi. Ainda estou na estrada com meus filhos e estamos com medo", disse Houda Hafsi, 43 anos, em Marrakech.

Outra mulher que estava lá, Dalila Fahem, disse que havia rachaduras em sua casa e danos em seus móveis. “Felizmente eu ainda não tinha dormido”, disse ela.

Pessoas na capital Rabat, cerca de 350 km ao norte de Ighil, e na cidade costeira de Imsouane, cerca de 180 km a oeste, também fugiram de suas casas, temendo um terremoto mais forte, segundo testemunhas da Reuters.

Em Casablanca, cerca de 250 quilómetros a norte de Ighil, as pessoas que passaram a noite nas ruas estavam demasiado assustadas para regressar às suas casas.

“A casa balançou agressivamente, todos ficaram com medo”, disse o morador Mohamed Taqafi.

Vídeos compartilhados nas redes sociais logo após o terremoto, que a Reuters não pôde verificar imediatamente, mostraram pessoas correndo com medo de um shopping center, restaurantes e prédios de apartamentos e se reunindo do lado de fora.

(com Reuters)

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