MUNDO

Novo Brics terá Argentina, Arábia Saudita e mais quatro países a partir de janeiro de 2024

Quase 40 países solicitaram a adesão ou demonstraram interesse de entrar para o bloco

Por JORNAL DO BRASIL
[email protected]

Publicado em 24/08/2023 às 12:24

Alterado em 24/08/2023 às 12:26

Lula participa da reunião do Brics Foto: Ricardo Stuckert/PR

A cúpula do Brics - bloco composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - , reunido em um encontro em Johannesburgo, anunciou, nesta quinta-feira (24), a inclusão de seis novos membros. A partir de janeiro de 2024, Argentina, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos passarão a integrar o grupo de países emergentes, que tenta ganhar influência no cenário internacional. A informação foi confirmada pelo presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.

“Decidimos convidar Argentina, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes para se tornarem membros permanentes do Brics. A nova composição passará a valer a partir de 1º de janeiro de 2024. Valorizamos o interesse de outros países em construir uma parceria com o Brics. Com esta cúpula, o Brics inicia um novo capítulo”, declarou Ramaphosa em uma entrevista coletiva ao lado dos representantes dos cinco países que integram atualmente o bloco.

Em seu perfil nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a ampliação do bloco.

“A relevância do Brics é confirmada pelo interesse crescente que outros países demonstram de adesão ao agrupamento. Como indicou o presidente Ramaphosa, é com satisfação que o Brasil dá as boas-vindas ao Brics à Arábia Saudita, à Argentina, ao Egito, aos Emirados Árabes Unidos, à Etiópia e ao Irã”, disse Lula.

“Muitos alegavam que os BRICS seriam demasiado diferentes para forjar uma visão comum. A experiência, contudo, demonstra o contrário. Nossa diversidade fortalece a luta por uma nova ordem, que acomode a pluralidade econômica, geográfica e política do século XXI”, destacou Lula.

O presidente fez uma referência especial ao presidente argentino, Alberto Fernández, “grande amigo do Brasil e do mundo em desenvolvimento”. “Continuaremos avançando lado a lado com nossos irmãos argentinos em mais um fórum internacional”, completou.

Quem também celebrou o acordo foi o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed. Segundo ele, a entrada no bloco representa um “momento forte” para o país africano. Já Mohammad Jamshidi, conselheiro do presidente iraniano Ibrahim Raissi, destacou que a adesão do Irã é um “sucesso estratégico para a política externa da República Islâmica”.

Quase 40 países solicitaram a adesão ou demonstraram interesse de entrar para o bloco criado em 2009, que representa quase 25% do PIB e 42% da população mundial. A adesão dos novos membros foi oficializada na Declaração de Joanesburgo, documento acordado entre os atuais integrantes do Brics

“O Brics continuará aberto a novos candidatos”, afirmou Lula em declaração à imprensa ao lado de Ramaphosa e dos demais líderes. Os atuais países do bloco anunciaram a definição de critérios para a futura entrada de novas nações.

Moeda comum

Também ficou acordado que os bancos centrais e ministérios da Fazenda e Economia de cada país ficarão responsáveis por realizar estudos em busca da adoção de uma moeda de referência do bloco para o comércio internacional. “Essa medida poderá aumentar nossas opções de pagamento e reduzir nossas vulnerabilidades”, disse o brasileiro.

Outro acordo foi para que o grupo siga em busca de uma reforma da governança global, especialmente em relação ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Agenda presidencial

A 15ª Cúpula de chefes de Estado do Brics se encerra nesta quinta-feira, após duas sessões ampliadas com participação dos países-membros e mais nações convidadas.

Após o fim da conferência, o presidente Lula viaja para Angola, onde fará uma visita de Estado, e depois para São Tomé e Príncipe, para participar da conferência de chefes de Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Com Agência Brasil

Deixe seu comentário