ASSINE
search button

O fundo do poço

Compartilhar

Acho que o que estamos vivendo é o final de um ciclo como o “The End” escrito na tela de um filme, que surge depois que o diretor, segundo o seu próprio feeling, achando que a história está muito repetitiva, ordena a equipe: “Corta!”

Eu, se fosse diretora, já tinha mandado cortar muita coisa por que o filme está perdendo o sentido. Ninguem explica nada. Vive-se a guerra pela guerra, a tortura pela tortura, a banalização da morte exposta em assassinatos em grupos, sem se entender bem em nome de quê, de quem. Antes o mundo se matava por divergências de religião, de ideologias, hoje briga-se pelo deus do dinheiro e pela afirmação da mentira que vai se transformando em verdade. Ninguem mais sabe o que é verdade. Virou sinônimo de manipulação e é usada pra tudo o que for possível, como o adiamento dos julgamentos que faz com que se ouça tantos absurdos que até se esquece em nome de que foram feitos, embora tudo seja sinônimo de dinheiro, como o mensalão.

Ninguém mais sabe, exatamente, o que é a verdade, mas ela está lá, como dizia Diógenes, no fundo do poço. Hoje em dia começou a dar sinal de vida, mais praticamente, saindo do fundo do armário, o que já  é alguma coisa. Me parece que, essa saída do armário , por enquanto, está valendo só pra gays, cansados de carregar uma cruz nas costas que não mereciam, mas não pra coisas sérias como assassinatos e roubos. 

É com a decadência que o mundo se refaz e estamos, visivelmente, vivendo esse momento do refazer em relação à lei do eterno retorno, que traz consigo uma espécie de vassoura para varrer os preconceitos, mentiras, roubos e mortes. A arte e a cultura não têm muito a dizer, a não ser constatar e elaborar  o que acontece ou o que não acontece. Até o tempo, cansado do dejá- vu atual, mudou seus padrões estabelecidos, segundo Shuman, físico alemão que constatou, em 1952 que a “Terra é cercada por um campo eletromagnético que possui uma ressonância responsável por seu equilíbrio, fazendo com que, durante milênios, o seu “coração” batesse numa certa frequência".  A partir dos anos 80, devido ao desequilíbrio ecológico, essa frequência mudou e o coração da Terra disparou. Diante da aceleração geral a jornada de 24 horas foi reduzida a 16!

Era infinito o intervalo que havia entre as duas férias escolares, de dezembro a dezembro.  Hoje, meu neto de oito anos, pergunta: “ Mas já é férias de novo?”

Hoje as crianças  nascem de olhos abertos e pré-informatizadas pois não há tempo a perder.

Quando vi o filme Laranja mecânica, do Kubrick, achei, na época, que não tinha entendido. Por que tanta violência gratuita? Por que os protagonistas do filme saem chutando a tudo e a todos sem razão e cantando Singing in the rain? Não imaginava que iria viver isso hoje, no dia a dia, com a violência liberada dentro de cada indivíduo, que passa a exercê-la a seu bel prazer cantando na chuva, ou debaixo dos aterrorizantes temporais atuais, e quem está na chuva, meu amor, é pra se molhar.

Então, com a graça de Deus, ganhamos a tecnologia que tira uma carta da manga, como o DNA, ou o cerne da verdade e invalida qualquer discussão. Mesmo assim há quem tente negá-lo abafando o caso. Abafando...Abafando... Acho que a Terra ficou mais quente por causa de tantos casos abafados. Mas o que é abafado hoje em dia , explode em verdade na Internet ou qualquer tipo de tecnologia que também pode mentir como falar a verdade. O que falta a ela é a peça fundamental da mudança, que é a tomada de consciência de cada um, alavanca imprescindível para que a verdade, emerja, finalmente, do fundo do poço.

1