JOGOS ONLINE

Nations League: o torneio que tirou os amistosos, mas que a Conmebol ainda não adotou

A Liga das Nações 2026/27 começa: formato, favoritos e a ausência sul-americana.

Por JB GAMES

Publicado em 25/09/2026 às 14:51

Alterado em 25/09/2026 às 14:51

. .

Estamos em pleno período de uma nova edição da Nations League da UEFA, um torneio que começou sendo visto com certo desdém pelas principais seleções europeias, mas que, com o tempo (e também com as condições, como a disputa de vagas na Copa do Mundo), vem ganhando apelo e competitividade entre as suas 54 seleções e quatro divisões.

Enquanto isso, a seleção brasileira faz amistosos contra seleções bastante modestas de outros continentes (embora algumas ainda tenham algum interesse esportivo mais modesto). Isso porque, por questões burocráticas e de calendário, as seleções sul-americanas não entraram na Liga das Nações, como veremos em mais detalhes a seguir.

Por que a UEFA criou a Liga das Nações

Antes da existência desse torneio, as seleções faziam amistosos contra equipes do mundo inteiro (muitas vezes com jogos sem emoção e sem tanto valor, enfrentando seleções de nível mais baixo). A fim de mudar esse cenário e dar a oportunidade de competir contra equipes de nível semelhante, a UEFA criou uma competição com critérios de acesso e rebaixamento.

Portugal foi o primeiro campeão da competição, em 2019, algo que ajudou a cimentar o nome de Cristiano Ronaldo na seleção (e voltaria a vencer em 2025 na final com a Espanha). Aos lusitanos, somam-se as seleções da França em 2021 e Espanha em 2023 como campeãs, mostrando que é uma competição levada a sério sobretudo nas fases finais, que quase sempre trazem jogos emocionantes e de alto nível.

Ao mesmo tempo, as seleções sul-americanas ficaram sem tantos adversários de alto nível. No caso do Brasil não era algo inédito, dado que muitas vezes a CBF preferia marcar jogos onde pudesse ter maior lucro, mas a parte esportiva saiu perdendo e a preparação do time para eventos como a Copa do Mundo ficou prejudicada, já que quase não existem mais espaços no calendário para enfrentar times de primeira linha.

Como funciona a edição 2026-2027

Continuando com a fórmula de quatro divisões, temos as ligas A, B e C com quatro grupos e quatro seleções em cada grupo. Na Liga A, as duas primeiras se classificam para as quartas de final; nas ligas B e C, o primeiro colocado sobe diretamente e o segundo disputa os playoffs de acesso.

Além disso, nas ligas A e B, os quartos colocados são rebaixados diretamente, e os terceiros disputam um playoff de rebaixamento com os segundos colocados da liga inferior. Já na Liga D, os grupos são formados por três seleções e os primeiros colocados são promovidos.

A fase de mata-mata da Liga A será disputada em 2027, mas os grupos da fase de liga já prometem muito equilíbrio, como podemos ver a seguir:

Grupo 1: França, Itália, Bélgica, Turquia

Grupo 2: Alemanha, Holanda, Sérvia, Grécia

Grupo 3: Espanha, Croácia, Inglaterra, Tchéquia

Grupo 4: Portugal, Dinamarca, Noruega, País de Gales

Assim, como podemos ver, é uma competição semelhante ao Brasileirão no sentido que há disputas por acesso e rebaixamento, mas com grupos de quatro seleções a dinâmica da competição é de um campeonato de alta rotação, que não permite erros.

Muito além do troféu: vagas para Euro e Copa
O que fez essa competição ganhar importância nos últimos tempos foi principalmente o fato de oferecer vagas em competições de primeiro escalão. Um exemplo é a Geórgia, que nas eliminatórias para a Euro-2024 não conseguiu a classificação num grupo que tinha Espanha, Escócia e Noruega, mas graças ao fato de ficar em primeiro lugar de seu grupo na terceira divisão da Liga das Nações, pôde disputar a repescagem e se classificar ao bater Luxemburgo e Grécia.

Esse foi um aprendizado, dado que a mesma Geórgia, anos antes, perdeu a chance de disputar a Euro-2020 ao perder a repescagem para a Macedônia do Norte. Um outro caso emblemático foi o da Suécia, que teve uma participação bastante fraca nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, mas pôde disputar a repescagem graças à sua campanha na Nations e assim se classificar para o mundial.

Para esta edição, o que está confirmado é que os 12 primeiros colocados e os 8 melhores segundos colocados dos grupos das eliminatórias terão vaga direta na Euro-2028, além de outras vagas sendo disputadas em playoffs entre os segundos colocados restantes e os times de melhor campanha não classificados para as fases seguintes.

Quem chega como favorito em 2026-27

Com a Espanha chegando como campeã do mundo e Portugal defendendo o título, o favoritismo parece dividido entre poucos nomes, segundo o top 25 dos sites de apostas da Wincomparator, portal de referência em apostas esportivas.

Mas a Liga das Nações costuma embaralhar essas previsões: técnicos testam jogadores, o calendário concentra quatro jogos em menos de duas semanas e um tropeço na fase de liga pode tirar uma potência das quartas.

Acompanhar as odds da Liga das Nações ao longo das rodadas ajuda a medir como o mercado reage a essas oscilações, que costumam ser maiores do que em uma Copa ou Eurocopa. Na prática, o grupo da morte desta edição pode redesenhar o quadro de candidatos já em outubro.

Além dessas equipes, times como França e Inglaterra chegam muito fortes (esta última inclusive enfrenta a Espanha na estreia). Já seleções tradicionais como Alemanha, Itália e Holanda aparecem hoje um passo atrás, sendo mais surpresas do que certezas.
O dinheiro: quanto a Liga das Nações rende às federações

Todas as competições rendem alguma premiação, e com esta não é diferente. Os valores são mais modestos se comparados aos de campeonatos de clubes (ainda que, para federações menores, como as da Liga D, sejam uma quantia relevante), e quem fica com o dinheiro são as federações, e não os atletas.

Todos os times recebem um valor fixo, que varia de €750 mil na Liga D, até €2,25 milhões na Liga A, e o mesmo valor é pago como premiação aos primeiros colocados. Além disso, nos playoffs também são pagos valores como prêmios, e no total o campeão pode receber até €10,5 milhões.

E a América do Sul? A promessa de 2021 que não saiu do papel

Houve uma negociação para que as seleções sul-americanas disputassem a competição, que na época era tratada com certo desdém pelas principais seleções europeias, a partir da edição de 2024 do torneio.

Porém, isso existiu num contexto em que a Fifa avaliava uma Copa do Mundo a cada dois anos, algo que gerou um conflito com a UEFA – e no fim das contas, por questões de datas, de eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo e de prioridades financeiras, isso nunca saiu do papel.

Há ainda um estudo para uma Liga das Nações sul-americana, considerando que as eliminatórias sul-americanas não contarão com Paraguai, Uruguai e Argentina, já classificados para a Copa do Mundo de 2030. Como as seleções não querem perder as datas e os nove mandos de campo que as eliminatórias proporcionam, essa seria uma chance de manter inclusive as seleções já classificadas com todas as datas usuais.

Há inclusive uma Liga das Nações feminina, que conta com nove equipes (o Brasil é sede da Copa do Mundo feminina de 2027 e não está no torneio). Com oito partidas para cada seleção, as duas primeiras se classificam diretamente e a terceira e a quarta colocadas vão para a repescagem, a ideia é expandir o formato para o masculino.

Isso, contudo, são apenas projetos embrionários, que estão no campo das ideias, e ainda não temos nada concreto sobre o assunto, enquanto confederações como a Concacaf, nas Américas do Norte e Central, já têm seu próprio modelo funcionando desde 2019. Fica então a pergunta, a ser respondida em algum momento: se não é agora, quando?

O que muda a partir de 2028
O que começou como uma proposta de melhorar o calendário das seleções europeias segue agora com um torneio que vem ainda buscando se aperfeiçoar. Para isso, a UEFA terá apenas três divisões, e não quatro, com 18 seleções em cada uma, visando diminuir datas e aumentar a competitividade.

O formato dos playoffs não será modificado, mas cada liga terá três grupos de seis times, que farão seis partidas contra cinco adversários diferentes na primeira fase. Para isso, as eliminatórias também serão modificadas, com uma Liga 1 formada pelas 36 seleções das ligas A e B da Liga das Nações, e uma Liga 2 com as seleções restantes.

A consequência disso é que esta é a última edição com uma Liga D, com o formato já pronto para comportar a nova regulamentação. Enquanto isso, a América do Sul e o Brasil seguem discutindo um modelo, ao mesmo tempo em que enfrentam seleções de menor expressão.

Para não ficarmos apenas na seleção brasileira, a Argentina fará a despedida de Messi contra Benin, mostrando que os sul-americanos devem mesmo se habituar a esse cenário ainda por um bom tempo.