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Como a campanha It's All at Stake chegou ao Brasil com 120 convidados e uma estreia histórica
Por JB GAMES
Publicado em 28/06/2026 às 16:37
Alterado em 28/06/2026 às 16:37
. Foto: Stake
No dia 13 de junho, enquanto o Brasil empatava com Marrocos por 1 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, mais de 120 convidados acompanhavam o jogo numa watch party (festa de transmissão ao vivo) exclusiva organizada pela Stake em São Paulo. Open bar, mesa estilo cassino, quadra de futebol ao ar livre e merchandising exclusivo distribuído ao fim da noite. O evento foi a face local de uma campanha global chamada "It's All at Stake" ("Está tudo em jogo", numa tradução livre), que reúne quatro ex-jogadores estelares: Iker Casillas, Patrice Evra, Sergio Agüero e Eden Hazard. Juntos, eles somam mais de 60 títulos coletivos entre clubes e seleções, e participaram de torneios globais em diferentes períodos, de 2002 a 2018.
A campanha parte de uma ideia que dispensa tradução: futebol não se assiste sozinho. O ritual coletivo de ver um jogo, com toda a carga emocional que uma estreia do Brasil num torneio global carrega, é exatamente o território que a Stake escolheu para se posicionar no país. A plataforma, que já se destaca no espaço do entretenimento esportivo brasileiro, é também um abrangente site de apostas em futebol: cobre desde o vencedor do torneio até mercados por partida, com odds atualizadas em tempo real ao longo de cada rodada.
A escolha de Iker Casillas como um dos embaixadores da campanha não é apenas simbólica. O ex-goleiro do Real Madrid e da seleção espanhola é um dos poucos homens vivos que sabem o que é levantar uma taça de Copa como capitão, feito que alcançou em 2010 com a Espanha, quando não sofreu um único gol em cinco dos sete jogos do torneio. Em entrevista exclusiva concedida à Stake na véspera da estreia do Brasil, Casillas falou sobre a Copa de 2026 com a autoridade de quem conhece o peso de cada fase eliminatória por dentro. "A mentalidade supera o talento em certos momentos; acredito que a mentalidade é algo que precisamos trabalhar, porque você tem que estar muito forte psicologicamente em determinadas fases do torneio", afirmou.
Na mesma entrevista, Casillas ouviu perguntas sobre Carlo Ancelotti, técnico que conheceu de perto durante os anos no Real Madrid. A avaliação foi direta: "Está claro que o Carlo é um dos melhores treinadores da história; acho que ele pode ser o elo perfeito para ajudar o Brasil a dar o próximo passo." A frase, dita com a ressalva bem-humorada de quem também torce para a Espanha ("desejo tudo de bom para ele, menos quando estiver jogando contra a Espanha, haha"), resume o que a campanha procura construir: autoridade com leveza, leitura técnica com entretenimento.
O que Casillas disse sobre a Copa e o que os jogos confirmaram
Questionado sobre quais seleções poderiam surpreender no torneio, Casillas citou Marrocos sem hesitar: "Depois das semifinais da última Copa, acho que o Marrocos tem um time muito forte." O empate brasileiro na estreia, contra exatamente essa seleção, deu razão ao prognóstico do espanhol antes de qualquer analista conseguir dizer "eu avisei". Marrocos chegou ao confronto com 29 jogos de invencibilidade e um ranking da organizadora do torneio de 1.756 pontos, apenas seis abaixo do Brasil (1.762), o menor intervalo entre dois adversários de primeira rodada entre os favoritos ao título.

A trajetória da seleção brasileira na fase de grupos seguiu um arco que o próprio Casillas descreveu ao falar sobre o futebol de torneio: começo hesitante, ajuste de mentalidade, evolução progressiva. Depois do empate com Marrocos, o Brasil goleou o Haiti por 3 a 0 na segunda rodada, com Vinícius Júnior e Endrick como destaques, e encerrou a fase de grupos com uma vitória por 3 a 0 sobre a Escócia no Hard Rock Stadium em Miami, em 24 de junho. Vini Jr. marcou dois gols no jogo contra os escoceses, chegando a quatro no total no torneio, enquanto Bruno Guimarães distribuiu duas assistências.
Sobre o eterno debate entre Messi e Cristiano Ronaldo, Casillas foi cuidadoso sem ser evasivo: "Tivemos a sorte de assistir a esses dois atletas se enfrentando rodada após rodada para ver quem era melhor, durante tantos anos; sinceramente, vai ser difícil ver algo parecido de novo. Os dois estão no mesmo nível, e eu não consigo dizer que um é melhor que o outro, porque eles são muito diferentes." Perguntado sobre o melhor goleiro do mundo atualmente, nomeou Thibaut Courtois, mas destacou David Raya como nome que fez "uma temporada incrível pelo clube dele" e merece mais atenção do que costuma receber. Sobre Lamine Yamal, a avaliação foi equilibrada: "O Lamine é um dos melhores jogadores do mundo, mas a concorrência é acirrada: Mbappé, Vinícius, Pedri, Olise... Somos muito sortudos por poder curtir tantos craques hoje em dia."
Da campanha global ao mercado brasileiro
A "It's All at Stake" não foi construída apenas para circular em redes sociais. A watch party de São Paulo foi a demonstração de que a campanha tinha pernas para sair do filme publicitário e chegar a uma sala com pessoas reais, discussões de escalação, nervosismo coletivo e o tipo de experiência que nenhuma transmissão digital reproduz. Os quatro embaixadores foram escolhidos por uma razão que vai além dos títulos: cada um deles tem história direta com o futebol brasileiro, seja como adversário em grandes jogos, seja como companheiro de equipe de jogadores brasileiros em clubes europeus.
Evra jogou ao lado de Anderson e Rafael no Manchester United. Agüero dividiu o ataque com Carlos Tevez no Manchester City. Hazard disputou Premier League e Liga dos Campeões numa era em que Oscar, David Luiz e Willian também eram titulares no Chelsea. Casillas enfrentou o Brasil em mais de uma ocasião e foi um adversário que a torcida brasileira ainda cita com familiaridade.
Num torneio que o país não vence há 24 anos e com uma geração de torcedores que cresceu assistindo ao futebol europeu com a mesma intensidade com que acompanha a seleção, reunir Casillas, Evra, Agüero e Hazard numa campanha global e levar essa ideia para um evento em São Paulo no dia da estreia foi a síntese de um movimento que começou num estúdio de filmagem e terminou exatamente onde o futebol sempre faz sentido: numa sala, com gente ao redor e o placar em aberto.