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Corbières em festa por apenas 5 euros

Macaque in the trees
Turistas e moradores do Languedoc curtem a festa dos vinhos do Corbières. (Foto: Rogerio Rebouças)

Lézignan-Corbières é conhecida como a capital da Denominação de Origem Corbières, a maior do Languedoc que é o maior vinhedo AOC do mundo. O evento Corbières em Festa aconteceu nesta última segunda-feira em pleno centro da cidade que tem 12.500 habitantes. Eram 47 vinícolas presentes mostrando as cinco rotas do vinho que que bem representam a diversidade da região. Distribuídos ao longo da avenida principal da cidade em barracas do tipo "chapéu chinês" os vinhateiros mostravam seus vinhos aos moradores e turistas que vieram desfrutar dos bons vinhos e de queijos e embutidos regionais.

O evento é uma iniciativa do Sindicato dos produtores e dos municípios próximos à Lézignan-Corbières. As cinco grandes zonas de produção do Corbières estavam representadas por rotas de visita para o amante do vinho. Passando pelo litoral, o interior, os castelos cátaros, o Cru Boutenac e os terroirs de altitude. Para desfrutar dos vinhos bastava pagar 5 euros (R$ 21) e recebia ma taça, um folheto apresentando cada produtor e uma cartela com cinco tíquetes cada um valendo uma taça de vinho. Para animar os participantes bandas de música tocavam jazz e músicas francesas.

O Corbières é realmente uma grande área. Somente de AOC, isto é sem os IGP, os vinhos regionais que dividem o terroir, são 10.600 hectares com 1210 produtores, sendo 23 cooperativas e 221 adegas particulares. Portanto tínhamos quase 20% das propriedades presentes. Cada um trouxe os vinhos que quis. Brancos, tintos e rosés animaram esta noite ensolarada, isso mesmo, o sol bate forte e só vai descansar às 22 horas.Num calor de 35°C a sombra era disputada e os vinhos brancos e rosés dominaram as preferências no começo da noite.

Macaque in the trees
Três vinhos do Corbières com estilos diferentes e design arrojado. (Foto: Rogerio Rebouças)

Provei alguns vinhos de amigos que me agradam, revi outros e descobri novos vinhos. Alguns tintos de bom corpo, outros de corpo médio, uns envelhecidos em barris, outros sem a passagem na madeira e calcados na fruta. Vários orgânicos eram oferecidos já que essa tendência vem crescendo. É tanta burocracia no Brasil para validar um rótulo orgânico que a maioria dos importadores evita o selo característico no rótulo principal. Assim o brasileiro compra lebre por gato. Isso mesmo não é gato por lebre. O orgânico tem um custo de produção mais alto por usar defensivos agrícolas que não são sintetizados pelo homem, o que exige um esforço maior na condução do vinhedo e mais horas de tratamento. Resultado mais mão de obra/hora, mais produtos, mais passagens com o trator e mais óleo diesel queimado. Em resumo, dá mais trabalho e usa maior quantidade de produtos, porém há uma maior preservação do meio ambiente local. Na taça é outra história.

Gostei dos vinhos orgânicos da Família Fabre que apresentou um Corbières de ótima qualidade o Château de Luc Les Jumelles 2017 e seu sempre maravilhoso rosé Corbières, ambos produzidos no vilarejo vizinho de Luc sur Orbieu. Já a cooperativa Celliers des Demoiselles, do terroir de Lagrasse, trouxe um muito bom Corbières orgânico. O Languedoc é o maior produtor de orgânicos da França. O Château Le Palais que fica entre Lézignan e Lagrasse trouxe dois Corbières de estilos diferentes o 3 Sòrres, (uma brincadeira com o fonema de soeurs, irmãs) e o 6 Petits Gars (garotinhos). Neste domina a Carignan com 60%, a Grenache 30% e a Syrah com 10% completa o corte. O vinho é frutado e muito agradável. No site por 6,38€ (R$26,30). Já a cuvée 3 irmãs tem um corte com 80% de Mourvèdre e 20% de Grenache, maior complexidade e permite um envelhecimento maior. Evidentemente que as 3 Sòrres custam mais caro, saem no site por 10,20€ (R$ 42,00). Se 6 Petits Gars caiu bem com uns frios o das 3 irmãs implorava por um prato de comida. Santé.