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France Agrimer fornece informa√ß√Ķes equivocadas aos produtores franceses sobre o Brasil

As grandes tendências de consumo e exportação do vinho francês foi o tema da conferência de imprensa organizada no último dia 11 por France Agrimer, Estabelecimento Nacional da Agricultura e do Mar e o Comitê Nacional da Interprofissão dos Vinhos com Denominação de Origem e Indicação Geográfica, CNIV. Ufa, como o francês adora nomes grandes e depois criar siglas para abreviar. Com base nos estudos elaborados pela Kantar World Panel e por Dowel, EY, Klorobiz e Allison Bonnet.
Na primeira parte do estudo da Kantar World Panel, apresentado por Marie-Henriette Imberti, o objetivo foi analisar as grandes tendências no mercado para produtos de grande consumo, especialmente as bebidas, evolução do circuito (consumo em casa ou fora de casa) e o perfil do consumidor de vinho. O consumo de vinhos orgânicos se limita a 9%, mas sua penetração triplicou nos últimos sete anos, o que aponta para uma tendência e mostra a preocupação do consumidor com o meio ambiente. O percentual de lares que compraram bebidas sem álcool (cervejas, vinhos, ...) passou de 15,5% em 2015 para 24% em 2018, outra tendência. O consumo de cerveja subiu e passou de 14% (2014) para 17% (2018). O painel foi realizado junto a 12000 lares na França das mais diversas regiões, classes sociais e idade.

Macaque in the trees
Estudo apresentado por France Agrimer mostra dados incoerentes. (Foto: Estudo France Agrimer)


Já a segunda parte foi dedicada a análise transversal da percepção do vinho francês sobre seus mercados alvo (pelos operadores), evolução dos mercados, questões e oportunidades. Dentre os 13 países analisados – China, Brasil, Japão, Polônia, EUA, Canadá, Reino Unido, Holanda Bélgica Suécia, Alemanha, Austrália e Suíça, o Brasil responde por modestos 0,4% das exportações francesas, o menor mercado do grupo analisado. Apesar de não sermos um grande mercado para o vinho francês o Brasil oferece um potencial de crescimento importante, afinal é um grande país de cultura ocidental. O estudo foi realizado por Dowel, EY, Klorobiz e a consultoria Allison Bonnet. O estudo mostra a composição da oferta e seu posicionamento por faixa de preços e segmentos.

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Estudo erra ao citar principais concorrentes dos vinhos franceses no Brasil. (Foto: Estudo France Agrimer)

O consumo de cerveja, diferentemente da França, cai nestes países, com exceção da Suíça, e favorece o consumo do vinho. No Brasil acho que o grande perdedor foi o uísque, um destilado. Mas me faltam dados hoje para ser categórico. Vou apurar. Outro slide mostra a queda de consumo em bares e restaurantes, que ficam com 16% das vendas e o consumo em casa com 84%. Tem lógica. Já que a Lei Seca e a segurança levaram muitas pessoas a preferirem beber em casa Mas o que de fato me chamou a atenção foram outros dados que pude verificar com muita certeza com base nos relatórios da Ideal Consultoria. As vendas pela internet no Brasil aparecem no estudo como representando 35% do total. Mesmo sendo uma pesquisa qualitativa sabemos que o comércio on-line de vinhos representa 10% a 12% do total, em se considerando os importadores que são 100% ou majoritariamente on-line. Mesmo se somássemos as vendas de outros atores que também fazem venda complementar de vinhos pela internet não chegaríamos nunca a este altíssimo percentual.

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Relatório da Ideal Consultoria, baseado em números oficiais da Receita Federal, mostra que a Itália não é concorrente importante para os vinhos franceses rosés. (Foto: Ideal Consultoria)

Outro ponto que me causou perplexidade foi quando citam os principais concorrentes dos vinhos franceses por cor. Tintos apontam para os chilenos. Concordo. Eles lideram com folga o segmento. Brancos citam Chile (15,7% dos vinhos chilenos exportados são brancos, como eles lideram 46% do volume a informação é justa), Brasil e Itália (exporta 41% menos do que Portugal), informação errada. Mas o que me choca são os concorrentes dos vinhos rosés, único mercado onde a França lidera, aqui eles citam exclusivamente a Itália. Me parece um erro grosseiro. Em 2018 segundo a Ideal, a França exportou 25,4% do volume de rosados, os EUA 7,3%, foi a moda do Zinfandel, seguido pela África do Sul, 7%, Portugal com seu popular Mateus Rosé atingiu 6,7% e Espanha com 5,8% é a quinta colocada. A Itália se contenta com um modesto sexto lugar e 3,2% de participação. Bem longe dos demais concorrentes.
Com estes números as análises as consequentes decisões ficam seriamente prejudicadas. Quatro empresas badaladas dando informações imprecisas. Falo da parte que cabe ao Brasil neste latifúndio. Procurado por Conexão Francesa o assessor de imprensa não deu retorno até o momento. Santé.