Randy Weston comemora no palco 90 anos de vida

No próximo sábado (19/3), o lendário pianista-compositor Randy Weston, jazz master assim reconhecido pela National Endowment for the Arts (NEA), celebrará 90 anos de vida, em plena forma, no palco do Zankel Hall, a principal sala de recitais do Carnegie Hall, Nova York. Ele estará no comando do seu quinteto African Rhythms, integrado por Cecil Bridgewater (trompete), TK Blue (sax alto, flauta), Alex Blake (baixo) e Neil Clarke (percussão africana). O anúncio do concerto festivo publicado pelo Carnegie Hall destaca que o homenageado sempre combinou “a rica música da África com a tradição afro-americana do jazz, misturando ritmos e melodias numa música híbrida que tem sido a marca registrada de sua carreira”.

O poeta Langston Hughes (1902-1967), expoente da vertente americana da négritude, assim sintetizou a arte de Randy Weston: “Quando ele toca, uma combinação de força e gentileza, virilidade e veludo, emerge das teclas, num fluxo-refluxo sonoro tão natural como as ondas do mar”.

Hughes foi estreito colaborador do pianista-compositor na concepção e na gravação da suíte Uhuru Afrika/Freedom Africa!(Roulette/Capitol, 1960), com arranjos de Melba Liston para uma big band de 24 membros. Essa obra permanece como um marco da redescoberta e transfiguração das raízes mais africanas do jazz - num momento crucial em que o negro americano lutava pela conquista da plenitude dos seus direitos – assim como Africa Brass (Impulse, 1961), de John Coltrane; We insist! Freedom Now suite (Candid, 1960), de Max Roach; e Art Blakey and the Afro-Drum Ensemble (Blue Note, 1962).

O estilo pianístico eloquente de Randy Weston teve como influências iniciais a “orquestralidade” de Duke Ellington e a assimetria melódico-harmônica de Thelonious Monk, como ele sempre admitiu. Mas a paixão pela sua ancestralidade africana levou-o a um profundo mergulho na história do Continente Negro e nas expressões musicais que lá floresceram. Em 1967, mudou-se para o Marrocos, onde viveu até 1972, convivendo com as comunidades Gnawa do Magreb.

Da sua vasta obra como compositor destacam-se, entre outros títulos, Hi-FlyLittle NilesBerkshire bluesBlue Moses,African cookbookChalabati bluesAfrican lady e Kucheza blues (os dois últimos do histórico álbum Uhuru Afrika!).

Da discografia recente do longevo jazzman o CD mais relevante é The storyteller (Motema), gravado ao vivo, em dezembro de 2009, no Dizzy's Club, Nova York, na companhia dos fieis TK Blue, Alex Blake e Neil Clarke, mais Benny Powell (trombone) e Lewis Nash (bateria). O sexteto interpreta The African Cookbook Suite, de cerca de 20 minutos, divididos em três partes, além de duas versões de Hi-FlyAfrican sunrise e The shrine.

Em 2010, a Duke University Press publicou African Rhythms, a autobiografia de mais de 350 páginas de Randy Weston, produto de várias entrevistas por ele concedidas ao jornalista especializado Willard Jenkins, de quem se tornou amgo íntimo. O livro foi muito bem recebido pela crítica, e aqui vai, à guisa de coda, um trecho da resenha do produtor e escritor Michael Cuscuna:

“Randy Weston é uma alma mágica, espiritual, ebuliente e generosa que acontece ser um dos mais originais compositores e pianistas dos últimos 60 anos. African Rhythms é a sua fascinante história na sua própria voz – uma história que começa no Brooklyn e se desenrola pelos Berkshires, pela África e pela Europa, antes do seu retorno ao Brooklyn. Uma leitura maravilhosa”.

(Uma interpretação de Little Niles pelo trio de Randy Weston pode ser apreciada em www.youtube.com/watch?v=DZJKUemH5Q0)

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