BMW Festival traz ícones do jazz ao Brasil 

No seu segundo ano, o BMW Jazz Festival (São Paulo e Rio de Janeiro, de 8 a 13 de junho próximos) firma-se como o mais importante do país no gênero, com uma programação no nível dos mais afamados festivais internacionais. Estarão reunidos, em noites e “sets” diversos, ícones tão reverenciados como o pianista Chick Corea e o saxofonista tenor Charles Lloyd; conjuntos excelentes como o quinteto mainstream dos Clayton Brothers e a orquestra steampunk Secret Society, de Darcy James Argue; o grupo Ninety Miles, dos eminentes David Sánchez (sax tenor), Christian Scott (trompete) e Stefon Harris (vibrafone), cujo projeto é “encurtar” as 90 milhas que separam os Estados Unidos de Cuba; o veterano saxofonista Maceo Parker — que foi sideman de James Brown — e Troy Trombone Shorty Andrews, 25 anos — nascido e criado em Nova Orleans — que realçam, cada um a seu modo, a vertente funky, a via mais pop do jazz. 

Zuza Homem de Mello, curador do BMW Festival — produção da Dueto, de Monique Gardemberg — explica que o seu objetivo foi “equilibrar”, mais uma vez, nomes de “maior visibilidade” (Corea e Lloyd) com músicos mais jovens “em franca ascensão”. Neste último caso estão o trompetista Ambrose Akinmusire, 36 anos, líder de um quinteto integrado pelo pianista Gerald Clayton, 28 — new star também atuante nos Clayton Brothers — e Jason Moran, 37, outro notável pianista, parceiro de Lloyd desde 2007, e chefe do modernista trio Bandwagon desde 2003.

Zuza destaca ainda o convite aos acordeonistas Toninho Ferraguti e Alessandro Bebê Kramer para “um tributo à moderna sanfona brasileira”, que vai ser apresentado apenas em São Paulo, na sexta-feira dia 8 de junho, no segundo set do primeiro dia do festival, a ser realizado na casa de espetáculos Via Funchal, que comporta mais de 2 mil pessoas.

O quinteto de Ambrose Akinmusire (também só tocará em São Paulo) é a atração do set de abertura do BMW Jazz, com a mesma formação do álbum When the heart emerges glistening (Blue Note), que foi o terceiro mais votado pelos críticos da revista Jazz Times na lista dos 40 Top CDs lançados em 2011 (depois de Sonny Rollins: Road shows, vol.2 e de Bird songs, de Joe Lovano).

O trio Chick Corea-Stanley Clarke (baixo)-Lenny White (bateria) é a base do histórico conjunto Return to Forever, e foi refeito, em 2009, para uma turnê europeia. Esse giro foi registrado num CD duplo (Forever, Concord) que conquistou, em fevereiro, o Grammy da categoria “melhor álbum de jazz instrumental”. O trio encerra a primeira noite do festival em São Paulo, e abre a etapa carioca, no Teatro Oi Casa Grande, na segunda-feira, dia 11 de junho, em programa duplo com o Ninety Miles .

O excelente Clayton Brothers Quintet é formado pelos irmãos John (baixo) e Jeff (saxes, flauta), pelo pianista Gerald (filho de John), por Obed Calvaire (bateria) e Terell Stafford (trompete). O combo toca também, apenas, na Via Funchal de São Paulo, na abertura da segunda noite do BMW (9/6), que terá sequência com os shows mais ecléticos de Trombone Shorty e de Maceo Parker . Estes últimos apresentam-se no Rio, no Oi Casa Grande, na terça-feira, dia 12/6.

O menu da noite de encerramento do festival em São Paulo (domingo, 10/6) é especialmente dedicado aos jazzófilos mais exigentes: o primoroso quarteto de Charles Lloyd (Jason Moran, piano; Eric Harland, bateria; Reuben Rogers, baixo); o quinteto Ninety Miles, com David Sánchez e Christian Scott em destaque; a orquestra do canadense Darcy James Argue, que “estourou” em 2009 com o CD Infernal machines, e levou o seu criador a vencer a eleição dos críticos da Downbeat (2010), como rising star, nas categorias big band, compositor e arranjador.

O quarteto de Lloyd e a Secret Society de Argue encerram a etapa carioca do BMW Festival, no Teatro Casa Grande, no Leblon, na noite de 13 de junho, uma quarta-feira.