Epidemia de ebola avança no Congo

KINSHASA - O número de mortos na nova epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) subiu para 49, segundo um novo balanço do Ministério da Saúde do país. Uma das vítimas fatais fazia parte das equipes médicas que atendem os infectados. Ao todo, dez profissionais acabaram contaminados durante o tratamento de enfermos.

Até o momento, houve 90 casos registrados desde o início da epidemia atual, no leste do país, identificada no início deste mês. Em resposta à piora no cenário congolês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que nem todas as cadeias de transmissão do vírus foram identificadas, o que dificulta o mapeamento dos casos. 

Segundo o porta-voz da OMS Tarik Jasarevic, mais de 1.500 pessoas podem ter entrado em contato com as pessoas infectadas pelo ebola. Por isso, a organização espera um aumento nas estatísticas nas próximas semanas. Os sintomas podem demorar até 21 dias para surgirem. 

Além disso, ainda de acordo com Jasarevic, a situação é agravada pela existência de “pontos cegos” nos territórios em risco, graças a problemas de segurança. A nova epidemia está concentrada na província de Kivu do Norte, no leste congolês, onde vivem aproximadamente oito milhões de pessoas - incluindo um milhão de refugiados que fogem de conflitos étnicos. A maior cidade da região, Beni, sofreu bombardeios de grupos extremistas e está ocupada pelo exército. 

Essas circunstâncias podem agravar o quadro epidêmico, já que dificultam o mapeamento da doença. O novo surto já superou o anterior, declarado extinto em julho, quando 53 pessoas foram infectadas e 29 morreram. É a décima epidemia de ebola a ser registrada no país africano.