Itália se despede das vítimas da tragédia em Gênova

A Itália celebrou na manhã deste sábado (18) o funeral de 19 das 41 vítimas do desmoronamento da Ponte Morandi, em Gênova, A cerimônia foi realizada no Pavilhão Jean Nouvel e reuniu as principais autoridades italianas. "O desastre causou uma ruptura no coração de Gênova. A ferida é profunda e a justiça obediente não apagará a tragédia, mas a cidade não desiste: a alma de seu povo continuará a lutar e saberemos tirar o melhor dos nossos corações", disse o arcebispo de Gênova, o cardeal Angelo Bagnasco.

    Durante o funeral, que reuniu pelo menos cinco mil pessoas, a maioria dos caixões foram cobertos com rosas brancas e as bandeiras dos países de origem das vítimas. Além dos italianos, foram sepultados dois albaneses, um chileno, um peruano, um colombiano e quatro franceses.

    A cerimônia contou com a presença do primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, do presidente, Sergio Mattarella, além de jogadores de futebol dos times da cidade, Gênova e Sampdoria, que tiveram suas partidas adiadas por luto.

    Na cidade, os sinos da igreja começaram a tocar e todos os estabelecimentos foram fechados. Os bombeiros foram recebidos com aplausos pelas famílias das vítimas. Os líderes da empresa Autostrade per I'Italia também participaram do funeral, mesmo o governo tendo revogado a concessão da gestão das estradas italianas à companhia. Mais cedo, Mattarella visitou a área do acidente, onde ainda ocorrem buscas pelos desaparecidos. "É uma tragédia inaceitável, devemos verificar a responsabilidade", definiu o chefe de Estado italiano.

    Apesar das autoridades italianas culparem a empresa que geria a ponte pelo acidente, os familiares das vítimas também querem responsabilizar o governo pela tragédia, pela falta de vigilância na manutenção da estrutura, inclusive, em forma de protesto, várias famílias se negaram a participar do funeral de Estado.

    Ontem (17), as equipes de resgate da Itália encontraram um dos carros soterrados pelos escombros da Ponte Morandi, que transportava três pessoas, inclusive uma menor de idade. Com a descoberta, o número de vítimas no desabamento subiu para 41.

    O balanço oficial só será divulgado após a identificação dos corpos. De acordo com informações preliminares, as três vítimas são um casal, Cristian e Dawna Cecala, e a filha deles, Kristal, de nove anos de idade, que viajavam pela estrada no momento da tragédia.

    O carro foi localizado completamente esmagado, sob um grande bloco de cimento que fazia parte do pilar da estrutura.

    Os principais monumentos de Roma, como o Coliseu, a Fontana di Trevi e a Praça do Campidoglio, tiveram suas luzes apagadas em homenagem às vítimas.