Lira turca enfraquecida pelas novas ameaças entre Ancara e Washington

A Turquia prometeu nesta sexta-feira responder se os Estados Unidos decidirem, como já ameaçam, endurecer suas sanções por conta da prisão de um pastor americano pelas autoridades turcas.

"Nós vamos responder (às sanções americanas) de acordo com a as regras da OMC e vamos continuar fazendo isto", afirmou Ruhsar Pekcan, citado pela agência estatal Anadolu.

Enquanto o governo turco tenta tranquilizar os mercados sobre a solidez de sua moeda, a lira, o secretário do Tesouro americano Steven Mnuchin advertiu na quinta-feira que seu país adotará novas sanções se Ancara não colocar em liberdade o pastor americano Andrew Brunson, acusado de espionagem e terrorismo na Turquia.

Para complicar a situação, uma corte turca rejeitou nesta sexta-feira um novo pedido para suspender a prisão domiciliar do pastor.

O advogado do religioso, Cem Halavurt, disse que apresentará um novo recurso dentro de duas semanas.

A crise diplomática entre os dois aliados da Otan continua em aberta escalada e a lira turca - que parecia ter se recuperado durante a semana - voltou a cair com força nesta sexta.

O caso do pastor Brunson, colocado em prisão domiciliar no mês passado depois de ter ficado mais de um ano e meio na prisão, desatou uma delicada crise diplomática entre os dois países.

O presidente americano Donald Trump defendeu novamente Brunson, a quem chamou de "homem muito inocente", e considerou que a Turquia não é uma "boa amiga dos Estados Unidos".

"A Turquia se beneficiou dos Estados Unidos durante muitos anos. Eles estão com nosso maravilhoso pastor cristão, a quem peço agora que represente nosso país como um grande refém patriota. Não vamos pagar nada pela libertação de um homem inocente", escreveu Trump.

- "Mínimo indispensável" -

O ministro turco das Finanças, Berat Albayrak, que também é genro do presidente Recep Tayyip Erdogan, se esforçou para tranquilizar os mercados durante uma inédita teleconferência com vários investidores internacionais.

Também descartou na quinta-feira ante os investidores que seu país vá pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para superar a crise monetária que atravessa depois que a lira perdeu 40% de seu valor ante o dólar no correr do ano.

Para o Capital Economics, a intervenção de Albayrak foi "moderadamente convincente".

"As autoridades só fizeram o mínimo indispensável", indicou a consultoria em uma nota a seus clientes.

"Albayrak não levou em conta por que a confiança na Turquia se evaporou", acrescentou.

Os economistas estão preocupados com a disputa entre Ancara e Washington, mas também com o controle de Erdogan sobre a economia.

Os mercado crilticaram duramente a recusa do Banco Central de subir seus juros, apesar da queda da moeda e da inflação galopante.

Erdogan, partidários de um crescimento a qualquer custo, se opõe a isso.

Mas, em meio à crise, a Turquia obteve na quarta um apoio de peso, com o Catar prometendo investir 15 bilhões de dólares no ap'si.

Além disso, Erdogan conversou esta semana com a chanceler alemã Angela Merkel e com o presidente francês Emmanuel Macron, prova de que Ancara quer se aproximar da Europa depois de dois anos de tensões devido à situação dos direitos humanos na Turquia.

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