Cineasta ucraniano em greve de fome 'perdeu a esperança', diz prima

O cineasta ucraniano Oleg Sentsov, em greve de fome há quase 100 dias, "perde a esperança" e "já não acredita mais" em sua libertação da prisão russa, explicou sua prima à AFP na quinta-feira.

Apesar dos diferentes pedidos feitos por escritores, atores, cineastas e dirigentes em defesa deste opositor à anexação da Crimeia, o Kremlin mantém silêncio sobre o tema, recorda a gravidade dos crimes de "terrorismo" pelos quais foi condenado e defende que, para a sua libertação, pode pedir um indulto.

"Oleg está perdendo a esperança", lamentou sua prima Natalia Kaplan, que explicou na semana passada que recebeu uma carta do cineasta na qual confessava que estava se aproximando de seu fim.

"Em sua carta, escreveu que não deveríamos dizê-lo que o momento de sua libertação estava se aproximando. Não acredita mais nela", assegurou Kaplan durante uma entrevista realizada na quinta-feira.

De acordo com a prima, o estado de saúde de Sentsov "claramente piorou" desde que começou a greve de fome, em 14 de maio, a fim de exigir a libertação de todos os "prisioneiros políticos" ucranianos na Rússia.

Na próxima terça-feira, 21 de agosto, completarão 100 dias que o cineasta parou de comer.

"Está com um ritmo cardíaco muito fraco, apenas 40 batimentos por minuto. Se queixa de dor no peito", explicou Kaplan, que lembrou que para economizar forças ele tenta não se levantar da cama.

Segundo a militante russa defensora dos direitos humanos Zoia Svetova, que viu o cineasta ucraniano na terça-feira no centro penitenciário russo Grande Norte, Sentsov perdeu 17 quilos e se encontra em "estado pré-crítico", mas "não tem a intenção de parar".

Os serviços penitenciários russos disseram na semana passada que o estado de saúde do cineasta ucraniano de 42 anos era "satisfatório".

Contrário à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, Sentsov foi condenado a uma pena de 20 anos de prisão em 2015 por "terrorismo" e "tráfico de armas".

Os embaixadores do G7, além de muitas personalidades do mundo da cultura, como o cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard e o ator americano Johnny Depp, pediram a sua libertação.

Durante uma conversa por telefone, o presidente francês, Emmanuel Macron, fez na sexta-feira passada "várias propostas" ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, para "encontrar de maneira urgente uma solução humanitária".

Kaplan assegurou que espera que os governos ocidentais aumentem sua pressão sobre Moscou e "encontrem mecanismos para libertar Oleg e outros presos políticos".