Ex-presidente catalão voltará à Bélgica para continuar luta separatista

Afastado do risco de ser extraditado para a Espanha, o ex-presidente catalão Carles Puigdemont anunciou, nesta quarta-feira (25), que voltará a se instalar na Bélgica para manter, do coração da Europa, sua luta pela independência dessa região espanhola.

Completando-se exatos quatro meses de sua detenção na Alemanha, Puigdemont comparece junto com seus advogados em Berlim para explicar suas intenções, depois de a Justiça espanhola retirar o mandado de prisão internacional contra ele.

Até então, ele se encontrava na Bélgica, desde final de outubro, país onde se instalou para escapar da ação da Justiça espanhola dias depois da malsucedida declaração unilateral de independência no Parlamento catalão.

Membros do governo regional, dirigido por seu herdeiro político Quim Torra, e partidos e associações separatistas preparam uma cerimônia de boas-vindas para ele no sábado, na chamada "Casa da República", uma mansão em Waterloo onde vivia antes de ser detido.

Embora sem poder real, a influência de Puigdemont é poderosa: designou Torra como sucessor, um separatista que continua a considerá-lo como presidente legítimo e que dispõe de um grupo parlamentar composto, em grande medida, por figuras que mantêm sua fidelidade apenas a ele.

Na entrevista, ele assegurou que, a partir de agora, sua "atividade política se concentrará na Bélgica", com o objetivo de continuar promovendo seu projeto separatista para a Catalunha e de internacionalizar a causa.

E, ao mesmo tempo, vai preparar o lançamento de um partido político que reúna as diferentes correntes do separatismo.

"Em Bruxelas, temos que continuar a tarefa de desenvolver atividades na linha do que o povo da Catalunha aprovou em 1º de outubro", prosseguiu o ex-presidente, em alusão ao referendo, declarado ilegal pela Justiça espanhola e que não contou com as garantias habituais desse tipo de consulta.

Puigdemont agora é livre para se mover pelo exterior desde que, na quinta-feira, o juiz espanhol responsável pelo caso contra a cúpula separatista retirou as ordens internacionais de prisão emitidas contra ele e contra outros cinco líderes separatistas.

O juiz tomou a decisão depois que um tribunal da Alemanha descartou, recentemente, a possibilidade de extraditar Puigdemont pela grave acusação de rebelião. Esse crime tem pena prevista de até 25 anos de detenção.

O tribunal alemão confirmou que extraditaria o espanhol apenas pela acusação de malversação de fundos, menos grave, em relação aos gastos públicos empregados na organização do referendo de 1º de outubro.

Na Espanha, continua em vigor uma ordem nacional de detenção contra Puigdemont e contra os outros cinco separatistas instalados na Bélgica, Suíça e Escócia. Enquanto isso, nove separatistas continuam em prisão preventiva na Espanha, acusados de rebelião.

Até a prescrição do crime, dentro de 20 anos, Puigdemont e os demais separatistas no exterior não poderão voltar ao país.

"A mudança no governo espanhol supôs uma mudança de estilo, de clima (...) Mas é o tempo não dos gestos, mas dos fatos", disse Puigdemont, que reivindicou do novo chefe do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, um referendo acordado sobre a independência e a libertação de seus companheiros detidos.

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