Premiê húngaro conclui visita a Israel no Muro das Lamentações

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, visitou nesta sexta-feira (20) o Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo, em Jerusalém Oriental anexada, encerrando uma polêmica visita a Israel.

Acompanhado pelo rabino Shmuel Rabinowitz, Orban colocou um papel em uma fenda na parede sagrada. Segundo a tradição, esses papéis geralmente contêm orações, ou votos.

Chegado ao país na quarta-feira à noite, o primeiro-ministro húngaro se defendeu das acusações de antissemitismo em seu país, ligadas a uma campanha contra o bilionário judeu americano de origem húngara George Soros.

"Posso garantir que a Hungria tem uma política de tolerância zero em relação ao antissemitismo", disse ele.

Viktor Orban e Benjamin Netanyahu se cumprimentaram calorosamente em seu encontro em Jerusalém, na quinta-feira, e o primeiro-ministro israelense defendeu seu colega das acusações, chamando-o de "verdadeiro amigo de Israel".

"Você defendeu Israel muitas vezes em fóruns internacionais. Nós apreciamos isso", disse Netanyahu.

Em dezembro passado, a Hungria se absteve em uma votação na Assembleia Geral da ONU contra o reconhecimento pelos Estados Unidos de Jerusalém como a capital de Israel.

O chefe do governo israelense também apontou que a Hungria gastou milhões de euros para a renovação das sinagogas no país.

Rompendo com o protocolo, segundo o qual os líderes europeus geralmente encontram o presidente palestino, Mahmud Abbas, durante sua visita a Israel, Viktor Orban não visitou Ramallah, sede da Autoridade Palestina, na Cisjordânia ocupada.

Na quinta-feira, seu comboio foi brevemente bloqueado na saída do Yad Vashem, o memorial da Shoah em Jerusalém, por manifestantes que o chamaram de "ditador".

"O líder mais nacionalista na Europa, visitando o Estado-nação do povo judeu", escreveu o jornal de esquerda "Haaretz", referindo-se à controversa lei adotada na quinta-feira pelo Parlamento sobre a identidade judaica de Israel.

Considerado o mais à direita da história do país, o governo de Benjamin Netanyahu apoiou fortemente a adoção desta lei, denunciada com vigor pelos parlamentares árabes israelenses e pelos palestinos.

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