Israel fecha único ponto de passagem de mercadorias para Gaza

O exército israelense anunciou nesta segunda-feira (9) o fechamento do único ponto de passagem de mercadorias entre Israel e a Faixa de Gaza, em reação aos balões e pipas incendiários lançados pelos manifestantes palestinos.

Desde 30 de março, os moradores de Gaza protestam ao longo da cerca que os separam de Israel para denunciar o bloqueio que dura mais de dez anos. Eles também reivindicam o direito de retorno às terras de que foram expulsos ou que tiveram que deixar durante a criação do Estado de Israel, em 1948.

"Em reação aos ataques terroristas em curso organizados pelo Hamas, que explora e coloca em perigo os moradores de Gaza, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, decidiram fechar a passagem de Kerem Shalom nesta segunda", indicou o exército em um comunicado.

Ao confirmar o fechamento imediato da passagem, Netanyahu informou ao Parlamento que Israel se preparava "para tomar outras medidas para lutar contra o Hamas", movimento islamista que dirige o enclave, sem dar mais detalhes.

As autoridades israelenses penam para cessar a onda de incêndios provocados por balões e pipas equipados de objetos embebidos em gasolina. Lançados de Gaza com destino aos soldados israelenses, as pipas e os balões se tornaram desde o fim de março o símbolo da mobilização palestina.

"Por volta de 750 incêndios queimaram 26000 dounams (2600 hectares) em cerca de 100 dias", afirmou à AFP o porta-voz dos bombeiros israelenses.

Ele estima que o total de prejuízos deve custar "alguns milhões de shekels (moeda israelense)", sem dar um valor preciso.

O fechamento do ponto de passagem agrava a situação humanitária já precária na Faixa de Gaza, enclave submetido a um severo bloqueio israelense e onde mais de 80% da população recebe alguma ajuda, segundo o Banco Mundial.

A passagem de Kerem Shalom permanecerá aberta somente para as necessidades humanitárias, indicou o exército.

Fawzi Barhoum, porta-voz do Hamas, declarou em um comunicado que "as medidas suplementares para reforçar o bloqueio e impedir a entrada de materiais e mercadorias em Gaza são um novo crime contra a humanidade, que se junta à lista negra da ocupação israelense contra os direitos de nosso povo".

"O Hamas invoca a comunidade internacional a intervir imediatamente para impedir este crime", adicionou Barhoum.

Além disso, a zona de pesca, que tinha sido estendida a nove milhas náuticas (17 km) da costa de Gaza desde maio, será novamente reduzida a seis milhas, anunciou o Exército.

Os acordos de Oslo assinados por israelenses e palestinos em 1993 previam uma zona de pesca até 20 milhas náuticas da costa. Mas Israel diminuiu sua extensão várias vezes.

Israel e Hamas se enfrentaram em três guerras desde 2008 e mantêm um tenso cessar-fogo desde 2014.

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