Os 'fronts' da guerra comercial abertos pelos EUA

China, União Europeia, México, Canadá, Japão... Quais são os "fronts" abertos pelo presidente Donald Trump para cumprir sua promessa de reduzir o déficit comercial e proteger os investimentos e o emprego nos Estados Unidos?

- China -

Anunciadas há duas semanas, as tarifas aduaneiras de 25% impostas por Trump entraram em vigor nesta sexta-feira. Automóveis, discos rígidos de computadores e até peças de aeronaves estão entre os 34 bilhões de dólares de importações chinesas afetadas.

O Ministério chinês do Comércio acusou Washington de ter lançado "a maior guerra comercial da história econômica". E, de acordo com as autoridades, as medidas chinesas de represália têm efeito imediato. Embora sua natureza e alcance não tenham sido especificados, a China já tinha alertado que iria impor tarifas rigorosamente equivalentes aos 34 bilhões dólares de importações americanas.

Um segundo pacote de tarifas sobre 16 bilhões de dólares de importações chinesas entrariam em vigor daqui a duas semanas, totalizando 50 bilhões de dólares de importações afetadas, para compensar o que Washington considera um roubo de propriedade intelectual e tecnologia por parte de Pequim.

Trump se disse pronto, nas últimas semanas, para impor tarifas adicionais até um total de 450 bilhões de dólares sobre produtos chineses.

- União Europeia -

O uísque bourbon, as calças jeans, as Harley Davidson: a União Europeia adotou por "unanimidade", em 21 de junho, tarifas de represália contra dezenas de produtos americanos para responder às tarifas impostas por Washington sobre o aço e o alumínio.

As contramedidas buscam compensar em cerca de 2,8 bilhões de euros os prejuízos causados pelos impostos americanos.

Mais à frente, a UE poderia aplicar tarifas sobre outros produtos americanos por 3,6 bilhões de euros, caso ganhe o litígio contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A UE ainda está inquieta com as taxas que os Estados Unidos consideram aplicar sobre carros importados. Para defender sua indústria automotiva, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar preparada para negociar com os Estados Unidos uma redução geral das tarifas aduaneiras neste setor.

- Canadá e México -

A tensão não para de crescer entre Washington e Ottawa, após a entrada em vigor das tarifas americanas sobre o aço e o alumínio.

Como a UE, o Canadá tomou medidas de represália por 12,6 bilhões de dólares, que entrarão em vigor em 30 de junho.

Além do aço e do alumínio americanos, foram afetados o uísque, o molho de tomate, o suco de laranja, os barcos a vela e motor e cortadores de grama.

Após o anúncio de Washington sobre o aço e o alumínio, o México também decidiu impor tarifas equivalente "sobre diversos produtos" importados dos Estados Unidos - entre eles, alguns aços, frutas e queijos.

As negociações entre Estados Unidos, México e Canadá para modernizar o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), em vigor desde 1994, patinam.

- Rússia -

Também afetada pelas tarifas do aço, a Rússia informou à OMC que considera tomar medidas em retaliação. Moscou diz que esses impostos sobre os Estados Unidos custam cerca de 538 milhões de dólares.

As relações comerciais entre os dois países também são marcadas pelas sanções impostas por Washington contra várias personalidades e entidades acusadas de participar dos "ataques" de Moscou contra as "democracias ocidentais".

- Irã -

Os Estados Unidos anunciaram no começo de maio sua retirada do acordo sobre o programa nuclear iraniano, assinado no governo de Barack Obama, e decidiram restabelecer suas sanções a Teerã e a todas as empresas com vínculos com a República Islâmica.

Os americanos deram às empresas um prazo de 90 a 180 dias para deixarem o Irã. A primeira etapa do restabelecimento das sanções, fixada para 6 de agosto, afetará a indústria automotiva e de aeronáutica civil.

Os Estados Unidos planejam reduzir para "zero" as exportações petroleiras iranianas, e Trump continua pedindo o aumento de produção de outros grandes exportadores de petróleo, principalmente a Arábia Saudita.

- Japão -

Afetado desde março pelas tarifas do aço, o Japão informou à OMC sua disposição de retaliar as tarifas sobre os produtos americanos em 50 bilhões de ienes (450 milhões de dólares).

A ameaça de impostos sobre as importações de carros é o principal medo do país.

- Coreia do Sul -

A Casa Branca anunciou em 1º de maio que havia renegociado seu acordo de livre-comércio com Seul, encerrando um conflito com a Coreia do Sul.

Para esse acordo, Seul concorda em abrir mais seu mercado para os veículos americanos e prometeu reduzir suas vendas de aço para os Estados Unidos em 30%.

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