'Muito cedo' para celebrar acordo migratório, diz presidente do Conselho Europeu

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse nesta sexta-feira (29) que ainda é "muito cedo" para classificar como bem-sucedido o acordo firmado pela cúpula da União Europeia sobre imigração, advertindo que aplicá-lo na prática é a parte mais difícil.

"Em relação ao nosso acordo sobre imigração, é muito cedo para falar de um êxito. Conseguimos chegar a um acordo no Conselho Europeu, mas esta é, de fato, a parte da mais fácil da tarefa em comparação com o que nos espera no terreno, quando começarmos a implementá-la", disse Tusk, no encerramento de uma cúpula de dois dias em Bruxelas, concentrada na gestão dos fluxos migratórios.

"Também queremos enviar uma mensagem clara a todos os barcos, incluindo os das ONGs que patrulham no Mediterrâneo, que devem respeitar a lei, e não obstaculizar as operações da Guarda Costeira líbia", afirmou Tusk.

Os presidentes dos países-membros da União Europeia (UE) chegaram a um acordo, na madrugada desta sexta, sobre a criação voluntária de centros para imigrantes em solo europeu, para onde serão transferidos os imigrantes resgatados em águas europeias. Nesses locais, serão selecionados aqueles que poderão pedir asilo e os que serão devolvidos para seus países.

Ainda não se sabe quais países poderão acolher esses centros "controlados". Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, funcionarão "sobre uma base voluntária nos países na linha de frente".

Além desses centros, os líderes europeus contemplam a criação de "plataformas regionais de desembarque", em cooperação com outros países, com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e com a Organização Internacional para Migrações (OIM).

Essas plataformas situadas fora da UE vão acolher os imigrantes resgatados em águas internacionais, entre os quais também se fará uma seleção, tudo isso "respeitando plenamente o Direito Internacional" - diz o acordo. Nenhum país se ofereceu até o momento para acolher essas plataformas. O governo do Marrocos já anunciou sua oposição.

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