Prefeita nega propina para aprovar estádio da Roma

A prefeita Virginia Raggi disse na última terça-feira (19), em uma reunião com membros do partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), que sua gestão não "recebeu um euro" para aprovar a construção do novo estádio da Roma, alvo de um inquérito de corrupção na capital italiana.   

"Tenho confiança total na magistratura. A Procuradoria disse que fizemos tudo legalmente no estádio, mas façamos outra checagem em tudo, porque a corrupção tenta se infiltrar de mil modos diferentes. Não recebemos um euro", disse a prefeita de Roma.   

Já o vice-primeiro-ministro da Itália e líder do M5S, Luigi Di Maio, afirmou nesta quarta (20) que, apesar do escândalo do estádio "giallorosso", "não há nenhuma crise" na base aliada de Raggi nem planos de pedir para a prefeita se afastar. Di Maio ainda afirmou que a "única falha" no caso foi ter "confiado" no "advogado errado".   

Investigação 

Detido em prisão domiciliar sob a suspeita de envolvimento em crimes de corrupção nas obras do novo estádio da Roma, Adriano Palozzi, da legenda de centro-direita Força Itália, renunciou ao cargo de vice-presidente do Conselho Regional do Lazio. Já o empresário Luca Parnasi, proprietário dos terrenos onde ficará a arena e que também está preso pelo escândalo de corrupção, foi transferido da penitenciária de San Vittore, em Milão, para Roma, mas se recusou a responder às perguntas dos investigadores.    

Por sua vez, Luca Caporilli, braço direito de Parnasi e detido desde 13 de junho, foi ouvido sobre o caso. Segundo a polícia, ele forneceu informações importantes do suposto esquema. "Para cuidar de todos os detalhes, para dar indicações práticas sobre como rever o projeto, foi Luca Lanzalone. Pelo que eles me explicaram na empresa e pelo que foi entendido durante as reuniões, ele era a Prefeitura de Roma", disse Caporilli.    

Lanzalone é outro detido pelas autoridades italianas. Ele era presidente da Acea, companhia que administra serviços de água e energia da capital. No entanto, renunciou ao cargo após o escândalo estourar na mídia. O advogado havia sido nomeado por Raggi.    

Até o momento, nove pessoas, entre políticos e investidores, foram presos sob suspeita de corrupção. Além disso, entre os investigados estaria até Giovanni Malagò, presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni). O projeto de construção da arena, que terá capacidade para mais de 52 mil pessoas, foi aprovado pela Câmara Municipal em junho de 2017. A Procuradoria afirmou que a Roma não tem relação com o caso.