Nicarágua convida especialistas de ONU e CIDH para investigar violência

A Nicarágua convidou organismos internacionais de direitos humanos para investigar a violenta repressão a manifestantes que deixou 187 mortos nos últimos dois meses, informou nesta quarta-feira a Igreja Católica, que promove o diálogo entre governo e oposição.

O convite aos organismos de direitos humanos era um requisito fundamental para a retomada do diálogo visando tirar o país da severa crise política.

"A União Europeia, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos e a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) informaram aos bispos da Nicarágua que receberam oficialmente os respectivos convites do governo" de Daniel Ortega, publicou no Twitter Silvio Báez, arcebispo auxiliar de Manágua.

O organismo da ONU confirmou em um tuíte "que recebeu a carta do governo (nicaraguense) concedendo seu acesso ao país". "Nossa equipe está coordenando a logística para tal visita e prontamente informaremos os detalhes".

O secretário-executivo da CIDH, Paulo Abrão, informou no Twitter que uma "equipe técnica do Mecanismo Especial de Acompanhamento para a Nicarágua chegará a Manágua na próxima terça-feira com a tarefa de acompanhar a Comissão de Verificação e Segurança da Mesa de Diálogo e apoiar a sociedade civil".

Abrão revelou ainda que em julho irá à Nicarágua o Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI), que a CIDH e a OEA formaram em maio passado para apoiar as investigações sobre a violência nos protestos contra o governo.

A presença de especialistas da ONU, CIDH e União Europeia (UE) é um dos compromissos que o governo assumiu na sexta-feira passada com a oposição para manter o diálogo.

O atraso do governo em enviar os convites aos organismos internacionais levou a Aliança Cívica - integrada por estudantes, empresários e sociedade civil - a abandonar a mesa de negociação na segunda-feira.

Os especialistas dos organismos internacionais apoiarão o trabalho da Comissão de Verificação e Segurança que governo e oposição criaram a partir do diálogo.

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