Missão de enviados papais eleva denúncias de abuso no Chile

A presença dos enviados do papa Francisco no Chile e a aceitação da Santa Sé da renúncia de alguns bispos provocaram uma onda de denúncias de abuso sexual em diferentes dioceses do país. 

A segunda missão do arcebispo de Malta, Charles Scicluna, e do sacerdote catalão Jordi Bertomeu foi concluída nesta terça-feira (19). Eles ficaram oito dias no país com o objetivo de buscar uma solução para o escândalo de pedofilia que afeta a Igreja local. Ambos chegaram ao território chileno um dia após o Pontífice aceitar a renúncia do bispo Juan Barros, acusado de encobrir abusos sexuais do padre Fernando Karadima. Contudo, os novos relatos são preocupantes. 

O ex-seminarista Mauricio Pulgar relatou a Scicluna que "há presbíteros que estão usando drogas para violar as pessoas" e, em uma entrevista à rede "CNN" do Chile, revelou que fora abusado pelo sacerdote Humberto Enríquez. Pulgar também confessou que "mais de 20 padres poderiam renunciar, sem contar os ex-seminaristas e laicos, com os quais as demissões subiriam para 50". 

Por sua vez, o ex-seminarista Sebastián Del Río relatou que o ex-bispo de Valparaíso Gonzalo Duarte pedira que ele "colocasse um creme em suas costas". Além desses, diversos outros episódios foram denunciados aos enviados do Papa, que reconhecem a "necessidade de se fazer justiça pelo bem do país e da Igreja". E, quando se despediam dos fiéis, os convidaram a "admitir a verdade completa, com todas as suas dolorosas repercussões e consequências, porque esse é o ponto de partida para uma 'cura'". Scicluna confiou aos membros do Conselho Nacional de Prevenção de Abusos da Conferência Episcopal do Chile "a tarefa provisória, em nosso nome, de escutar as denúncias". Até agora, a demissão de alguns sacerdotes já foi aceita, sendo que, somente nesta semana, três bispos foram afastados. E, de acordo com o Papa, que deu uma entrevista à "Reuters", mais demissões serão efetuadas.