Criminalidade na Alemanha: Merkel rebate declarações de Trump

A chanceler alemã, Angela Merkel, rejeitou, nesta terça-feira (19), as declarações do presidente americano, Donald Trump, que afirmou - mais uma vez e contra qualquer evidência - que a criminalidade está em alta na Alemanha, por causa do fluxo de imigrantes.

"Minha resposta a isso é que o ministro do Interior (alemão) apresentou recentemente as estatísticas sobre criminalidade e elas falam por si mesmas", rebateu Merkel, em entrevista coletiva ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, perto de Berlim.

"Vemos um desenvolvimento positivo. Temos, naturalmente, de fazer sempre mais para lutar contra a criminalidade, mas são números realmente encorajadores", acrescentou Merkel.

Trump voltou a afirmar, nesta terça, que a criminalidade tem aumentado na Alemanha em razão da imigração, questionando os números oficiais.

"A criminalidade na Alemanha está em alta de mais de 10% (as autoridades não querem contabilizar esses crimes) desde que os migrantes começaram a ser aceitos", tuitou nesta terça.

No dia anterior, Trump já havia postado uma mensagem, intrometendo-se no debate político alemão a respeito da imigração.

Com seu tuíte, sugeriu que os imigrantes seriam os responsáveis pelo aumento da criminalidade. No entanto, segundo estatísticas disponíveis, a criminalidade caiu consideravelmente em 2017.

Em um relatório oficial publicado no início de maio, o ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, apoiado implicitamente por Trump em sua vontade de frear a imigração, comemorava o fato de o número de ataques físicos contra pessoas, ou bens, ter alcançado em 2017 seu "nível histórico mais baixo desde 1992", ou seja, desde que compilam as estatísticas para a Alemanha reunificada.

Em 2017, a polícia contabilizou 5.761.984 atos criminosos, uma queda líquida de 5,1% com relação a 2016. Em 1994, essa cifra era de 6.537.748.

Em seu tuíte, Trump também sugere uma relação entre o aumento dos atos criminosos e da imigração. Entretanto, isso é inexato, posto que em 2014, último ano antes da crise migratória, foram registrados 6.082.064 crimes, ou seja, mais do que em 2017.

Mas é certo que a proporção de estrangeiros entre as pessoas suspeitas de realizar ações criminosas aumentou. Em 2014, era de 28,7%, alcançou os 40,4% em 2016, e caiu para quase 35% em 2017, mais do que antes da crise migratória.

Entre essas cifras sobre a criminalidade estrangeira, o Ministério alemão detalha que 27,9% dos crimes foram cometidos por estrangeiros procedentes de países que estão fora da União Europeia (UE), ou seja, 8,5% do total de delitos cometidos em 2017 no país, uma cifra que se mantém estável (8,6% em 2016).

De maneira geral, a criminalidade não aumentou na Alemanha, mas baixou, contrariando o que foi dito pelo presidente americano. Contudo, a criminalidade estrangeira realmente aumentou no país, mas sem que seja possível atribuir especificamente aos milhares de imigrantes chegados desde 2015.

dsa/yap/pg/cn/tt