Ninguém gosta da política de separar famílias imigrantes, diz assessora de Trump

A assessora da Casa Branca Kellyanne Conway expressou dúvidas neste domingo sobre a política do governo dos Estados Unidos de separar membros de famílias que entrarem clandestinamente no país pela fronteira ao sul, uma postura que críticos têm rotulado como cruel e imoral.

"Como mãe, católica, como alguém que tem consciência (...), vou te dizer que ninguém gosta dessa política", afirmou a funcionária do governo em entrevista à emissora NBC.

A Casa Branca tem enfrentado dificuldades há vários dias sobre como responder a ataques cada vez mais vocais à polícia de separar crianças imigrantes de suas famílias como forma de deter e processar pais e mães por cruzarem a fronteira ilegalmente.

O presidente americano, Donald Trump, e outros conselheiros de sua equipe têm sustentado que cabe ao Congresso dos EUA - e especificamente a democratas, cujos votos seriam necessários para aprovar leis no Senado, apesar de republicanos serem maioria em ambas as Câmaras - encerrar a separação de famílias. Ele insiste que o Legislativo adote políticas de segurança fronteiriça mais duras em resposta à questão familiar, entre elas o financiamento do seu prometido muro na fronteira com o México.

O representante democrata pelo Texas Beto O'Rourke, que está concorrendo pelo assento do senador republicano Ted Cruz no Senado nas eleições legislativas de novembro, invocou o Dia dos Pais neste domingo para argumentar que a política do governo de Trump é desnecessariamente cruel.

O'Rourke mencionou as crianças imigrantes abrigadas agora perto da fronteira sulista em Tornillo, no Estado texano. "No momento que (os imigrantes menores de idade) finalmente pensaram que haviam alcançado segurança, refúgio, que solicitariam asilo, eles foram tirados de seus pais e estão agora em Tornillo sem ideia de quando ou se eles verão suas mães ou seus pais neste Dia dos Pais de novo", afirmou o parlamentar à CNN.

A Casa Branca adotou a política de "tolerância zero" em maio como uma estratégia de dissuadir adultos de cruzarem a fronteira do México com os EUA em busca de asilo da violência na América Central. Uma decisão judicial de décadas atrás impede que o governo americano prenda crianças imigrantes. Até há pouco tempo, o resultado era que famílias que cruzassem a fronteira procurando asilo eram muitas vezes soltas nos EUA enquanto seus casos eram avaliados.

O governo revelou que, desde o início dessa política, 1.995 crianças imigrantes foram separadas de pessoas descritas como "seus alegados pais". (Dow Jones Newswires)