Grupo de países desconhece resultado eleitoral da Venezuela à margem do G20

Argentina, Austrália, Canadá, Chile, Estados Unidos e México desconheceram o resultado das presidenciais de domingo na Venezuela e anunciaram que avaliam medidas sancionatórias, em uma declaração à margem da reunião do G20 realizada nesta segunda-feira (21) em Buenos Aires.

"Levando em conta a falta de legitimidade do processo eleitoral venezuelano, nossos países desconhecem os resultados por terem sido convocados por uma autoridade ilegítima, a Assembleia Nacional Constituinte, excluindo a participação de atores políticos e que não contou com observação internacional para que pudesse ser aceita como livre, justa, independente e democrática", indicou a declaração lida à imprensa pelo chanceler argentino, Jorge Lafaurie.

"Entendemos que essa eleição ilegítima é uma clara demonstração da ruptura do fio democrático na Venezuela. Nossos países consideram neste momento possíveis medidas políticas, diplomáticas e financeiras sancionatórias do regime autoritário de (Nicolás) Maduro, procurando não afetar o povo venezuelano, que é a primeira vítima dessa ruptura da democracia na Venezuela", acrescenta o comunicado.

Maduro, no poder desde 2013, obteve no domingo 68% dos 8.603.936 votos contra 21,2% do ex-chavista Henri Falcón, que considerou que o processo carecia de "legitimidade" e pediu uma repetição da votação, ao acusar o governo de "compra de votos" e "chantagem" com os programas sociais.

O processo este marcado por uma abstenção de 52%, após o boicote convocado pela opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) por considerar a eleição uma "farsa" para perpetuar Maduro no poder.

Segundo a declaração de Buenos Aires, "a solução para a crise que a Venezuela vive deve ser alcançada de maneira pacífica e com o protagonismo dos próprios venezuelanos".

Os chanceleres também alertaram sobre o "alarmante agravamento da crise humanitária" na Venezuela e pediram ao governo de Maduro que "receba sem demora ajuda da comunidade internacional em alimentos e remédios, que são as necessidades essenciais do povo venezuelano neste momento".

"Mais de 900 mil venezuelanos emigraram para diferentes países da nossa região e esta situação de emergência constitui uma ameaça à estabilidade regional e à segurança em saúde, epidemiologia, educação, alimentação e questões sociais", continuaram.

Apesar de não constar da agenda formal da reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, a questão da Venezuela foi discutida em reuniões bilaterais e multilaterais nesta segunda-feira em Buenos Aires.

A reeleição de Maduro para o período 2019-2025 também foi rejeitada nesta segunda pelo Grupo Lima, que reúne 14 países americanos.