Bispos chilenos apresentam renúncia ao Papa por abusos

Decisão foi tomada em meio a um escândalo de pedofilia no país

Os 34 membros do episcopado do Chile apresentaram nesta sexta-feira (18) ao Papa Francisco uma renúncia coletiva depois do escândalo de abuso sexual na Igreja Católica chilena. "Queremos comunicar que todos os nossos bispos presentes em Roma, por escrito, deixam nossos cargos nas mãos do Santo Padre, afim de que decida livremente por cada um de nós", anunciaram os religiosos.

A decisão acontece após o Pontífice concluir uma reunião de três dias com a Conferência Episcopal do Chile para discutir formas de enfrentar os escândalos de pedofilia na igreja do país latino.

O Papa analisou as ações dos bispos chilenos em decorrência das denúncias das vítimas de abuso sexual. Em coletiva de imprensa, o porta-voz dos religiosos, Fernando Ramos, pediu "desculpas pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao povo de Deus e ao país pelos erros graves e omissões".

Além disso, Ramos agradeceu às vítimas "por sua perseverança e coragem, apesar das enormes dificuldades que tiveram que enfrentar tantas vezes em meio à incompreensão e aos ataques da própria comunidade eclesial".

O canal de TV "T13" apresentou o texto na íntegra da ata da reunião. O documento apresentado resume as impressões do arcebispo de Malta, Charles Scicluna, enviado ao Chile, em fevereiro, para aprofundar as investigações contra o bispo de Osorno, Juan Barros, acusado de acobertar as violências sexuais do padre Fernando Karadima, 87 anos, condenado pelo próprio Vaticano.