Crise política na Armênia se agrava; principal opositor é detido

A crise política que sacode a Armênia há dez dias se agravou neste domingo com a manifestação de milhares de pessoas na capital, Erevan, após a prisão do líder da oposição, Nikol Pachinian, e de outras centenas de manifestantes.

A praça da República, no centro da capital, onde se encontra a sede do governo armênio, estava lotada na noite deste domingo, com milhares de pessoas protestando contra o ex-presidente Serge Sarkissian, nomeado primeiro-ministro com poderes reforçados.

O deputado e líder da oposição Nikol Pachinian e outros deputados opositores "foram presos em momentos em que cometiam atos perigosos para a sociedade", tinha anunciado mais cedo a Procuradoria-Geral armênia em um comunicado.

O órgão acusou estes opositores de "terem violado reiterada e grosseiramente a lei sobre manifestações, organizando desfiles e comícios ilegais, e chamando a bloquear as rotas e paralisar o funcionamento dos estabelecimentos públicos".

A Procuradoria não informou o paradeiro de Pachininan, que tem imunidade parlamentar e só pode ser preso com o acordo do Parlamento.

A polícia armênia tinha indicado mais cedo ter "evacuado à força" Nikol Pachinian de uma nova manifestação da oposição, organizada na capital, Erevan, e dispersada pelas forças de ordem.

Um grande número de policiais prenderam centenas de manifestantes, segundo a polícia, enquanto sete participantes dos protestos pediram assistência médica, segundo o Ministério de Saúde armênio.

Já o Ministério do Interior declarou ter decidido "dispersar os manifestantes, inclusive aqueles reunidos na praça da República da Erevan" e destacou que "a polícia foi autorizada (...) a recorrer à força".

- 'Chantagem' -

Pachinian tinha participado antes de ser preso de um encontro televisionado com Serge Sarkissian em um hotel da capital armênia, que foi interrompido rapidamente após trocas acaloradas entre ambos.

"Vim falar de sua renúncia", lançou Nikol Pachinian ao seu interlocutor ante as câmeras.

"Não é um diálogo, é chantagem", respondeu o primeiro-ministro. "Só posso lhe aconselhar que volte a um marco legal, caso contrário será responsável" pelo que pode vir a acontecer, acrescentou.

A discussão continuou. "Não entende a situação na Armênia, o poder está agora nas mãos do povo", declarou Pachinian.

Sarkissian respondeu que "um partido que registrou menos de 8% nas eleições (legislativas) não pode falar em nome do povo", e saiu da sala.

Nikol Pachinian, de 42 anos, é um ex-jornalista e opositor de longa data que esteve brevemente na prisão após participar de movimentos de protesto contra Serge Sarkissian em 2008 que deixaram 10 mortos.

Pachinian chamou a população a se manifestar, e nos últimos dez dias foram registrados protestos em Erevan.

Os manifestantes acusam Serge Sarkissian, que acaba de concluir seu segundo mandato presidencial, de se aferrar ao poder, forçando sua eleição como primeiro-ministro pelos deputados.

A Constituição proíbe que o presidente cumpra mais de dois mandatos. Mas Sarkissian impulsou a votação, em 2015, de uma reforma polêmica para concentrar o essencial do poder no primeiro-ministro.

Os manifestantes criticam as manobras de Serge Sarkissian para permanecer no poder após mais de uma década no cargo de presidente. Também criticam este ex-militar de 63 anos por não ter diminuído a pobreza nem a corrupção.

A maior manifestação ocorreu na terça-feira, quando 40.000 pessoas protestaram em Erevan. Esta foi a manifestação mais importante dos últimos anos neste pequeno país do Cáucaso.

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