Mianmar elege estreito aliado de Aung San Suu Kyi para presidente

O Parlamento elegeu nesta quarta-feira (28) o presidente de Mianmar, Win Myint, um aliado de Aung San Suu Kyi, a qual continuará dirigindo o país, de facto. Win Myint, de 66 anos, substitui Htin Kyaw, que renunciou à Presidência na semana passada, após dois anos no cargo, alegando necessidade de descansar.

Suu Kyi não pode assumir a Presidência, porque a Constituição, redigida pelos militares antes de deixarem o poder, impede o acesso à função presidencial de qualquer pessoa que tenha filhos com um estrangeiro.

Ela foi casada com Michel Aris, um britânico nascido em Havana, com quem tem dois filhos de nacionalidade britânica.

Desde 2015, após a vitória de seu partido nas eleições, Suu Kyi ocupa o posto de Conselheira de Estado.

Win Myint "obteve a maioria de votos e é eleito presidente do Estado", declarou nesta quarta-feira o presidente do Parlamento, Mann Win Khaing Thanwill.

Depois de renunciar à Presidência da Câmara de Representantes de Mianmar na semana passada, Win Myint obteve dois terços dos votos do Parlamento, dominado pela Liga Nacional para a Democracia (NLD), o partido de Suu Kyi.

Win Myint, ex-advgado e ex-preso político, foi um camarada de dissidência de Aung San Suu Kyi desde 1988.

"Não fará nada contra ela", disse Yan Kyaw, analista político de Yangun, ao se referir ao novo presidente.

"As coisas devem seguir com normalidade, já que o posto de presidente é claramente honorário desde a criação do cargo de conselheira de Estado que ocupa Aung San Suu Kyi", explicou Mael Raynaud, um especialista em Mianmar.

Quando dirigiu a Câmara de Representantes, Win Myint "exerceu um controle estrito sobre os deputados", disse o analista Khin Zaw Win.

Foi contrário à abolição de uma polêmica lei sobre difamação on-line, pela qual dezenas de pessoas enfrentam julgamentos por terem criticado o governo, ou as Forças Armadas.

A eleição do novo presidente acontece em um contexto ainda complicado para Suu Kyi.

Mianmar é acusada pela ONU de ter realizado uma limpeza étnica da população rohingya, uma minoria muçulmana que vive no oeste do país. Cerca de 700 mil deles se refugiaram em Bangladesh para fugir da violência.

Embora Aung San Suu Kyi continua contando com a confiança de seu povo, a Prêmio Nobel de 1991 foi criticada pela comunidade internacional por sua falta de compaixão em relação aos rohingyas e por seu silêncio sobre o papel do Exército.