Presidente peruano diz que se salvará de ser destituído pelo Congresso peruano

O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, expressou nesta segunda-feira sua confiança de que não será destituído nesta quinta-feira pelo Congresso, onde é acusado de mentir sobre seus laços com a construtora Odebrecht.

"Eu sei que na quinta-feira ficaremos bem", disse o presidente de 79 anos, em um discurso na cidade amazônica de Iquitos.

"Eu não abandono, eu não me rendo porque a missão (mandato) não terminado", disse Kuczynski, eleito por cinco anos até 2021. Seus apoiadores no local gritaram em coro "continue, continue PPK!" (as iniciais do nome do presidente).

"Eu também tenho força, porque não me deixo abater pelas injustiças. Injustiças e abusos e mentiras, nós sempre vamos lutar pelo povo", acrescentou.

O Congresso dominado pela oposição debaterá e votará nesta quinta-feira uma moção de destituição do presidente, que sobreviveu há três meses a outro pedido similar.

O presidente disse no domingo que o Peru sofrerá "um golpe de Estado" se o Congresso o destituir.

Os problemas para Kuczynski começaram em dezembro, quando a construtora Odebrecht revelou que havia pago cerca de cinco milhões de dólares por assessorias a empresas ligadas ao presidente na primeira década do século XXI, inclusive quando "PPK" era ministro. Até então, Kuczynski havia negado todo laço com a empresa brasileira.

A Odebrecht também revelou que pagou um suborno de 20 milhões de dólares ao ex-presidente Alejandro Toledo e que fez contribuições de campanha em 2006 e 2011 aos últimos quatro ocupantes da presidência peruana, incluindo Kuczynski, e a líder opositora Keiko Fujimori. Todos negam envolvimento com a construtora.

Por esse caso da Odebrecht, a Suprema Corte peruana aprovou o pedido de extradição de Toledo dos Estados Unidos, onde mora, enquanto o ex-presidente Ollanta Humala acumula oito meses em prisão preventiva.