Fed analisa subir juros dos EUA, no início da era Powell

O Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) inicia nesta terça-feira (20) uma reunião de dois dias de política monetária, na qual é esperado o primeiro aumento do ano das taxas de juros.

Com fatores que certamente induzem a um crescimento da inflação em 2018, o Fed poderia aumentar as taxas quatro vezes ao longo do ano para evitar o reaquecimento da maior economia mundial, após superar a recessão de uma década atrás. 

O resultado das deliberações será anunciado nesta quarta às 15h (de Brasília), junto a novas estimativas de crescimento econômico, inflação, desemprego e, o principal, possíveis aumentos das taxas no próximo ano. 

Analistas e investidores estão certos de que, nesta reunião, as taxas subirão em um quarto de ponto percentual, ficando na faixa entre 1,50% e 1,75%.

O panorama deixa os investidores em suspenso, quando as ações estão em níveis muito altos. 

O novo presidente do Fed, Jerome Powell, que assumiu em fevereiro, oferecerá uma coletiva de imprensa após o fim das discussões na quarta-feira. Suas palavras serão analisadas minuciosamente a fim de encontrar sinais sobre o futuro ritmo de incremento dos juros. 

O Fed também vai atualizar as previsões econômicas e examinar quão agressivamente deve se mover nos próximos anos. 

"Os integrantes vão observar uma variedade de fatores, mas que podem ser resumidos nisto: o crescimento está forte e a inflação voltou à meta?", escreveu o economista Joel Naroff. "Em ambos os casos, a resposta é sim", acrescentou.

Desde a última reunião, em janeiro, os dados econômicos foram mistos, reduzindo o prognóstico de crescimento para o primeiro semestre. 

As vendas do comércio a varejo e de automóveis foram fracas, bem como as encomendas de bens duráveis e o mercado imobiliário. O gasto com construção de imóveis se estagnou e o crescimento do déficit comercial foi outra decepção. 

- Ventos a favor e contra -

Analistas dos bancos Morgan Stanley, JP Morgan Chase e Atlanta Federal Reserve reduziram suas previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o primeiro trimestre de 2018 a menos de 2%, uma taxa menor que a mínima de 3% que o presidente Donald Trump tem como meta anual.

Contudo, os primeiros trimestres do ano costumam registrar baixo crescimento, e a economia parece se encaminhar para uma expansão ao longo de 2018. 

Pesquisas nos setores da indústria e dos serviços mostraram dados animadores, e a confiança de consumidores e empresas está em níveis recordes. 

A criação de empregos também se destacou em fevereiro, um dos melhores meses na atual recuperação econômica. Foram geradas 313 mil novas vagas, e a taxa de desemprego continua nos historicamente baixos 4,1%. 

Embora os sinais sejam tênues, a inflação tende a aumentar. O índice CPI teve uma alta de 2,5% nos últimos seis meses. 

No começo do mês, a governadora do Fed Lael Brainard disse que os tempos estão mudando e que a inflação é uma preocupação crescente. 

"No período mais recente, fortes ventos frontais minavam o impulso de recuperação e atrapalhavam o caminho da política" monetária, disse. 

"Hoje eles mudaram, e são ventos de cauda. A reversão pode ser verdadeira", afirmou. 

No horizonte, contudo, está a ameça de uma guerra comercial, após Trump impor seu curso protecionista e gerar temor de represálias contra os Estados Unidos e aumento de preços. 

Tim Duy, economista da Universidade de Oregon especializado no Fed, disse que a entidade poderia evitar abordar assuntos comerciais.

"Ainda não há nada concreto sobre uma guerra comercial", afirmou à AFP.