Ministro alemão de Economia vai aos EUA tratar de conflito comercial

O ministro de Economia alemão, o conservador Peter Altmaier, viajará neste domingo (18) para Washington, em um contexto de crescentes ameaças de guerra comercial entre Estados Unidos e seus parceiros, indicou nesta sexta-feira seu ministério à AFP. 

O ministro, que assumiu a pasta nesta semana, se encontrará, entre domingo e terça-feira, com "representantes do governo americano" para abordar "temas atuais", como "tarifas aduaneiras, aço e comércio", indicou uma porta-voz do ministério.

Os detalhes de sua agenda serão publicados mais à frente, acrescentou.

A chanceler alemã, Angela Merkel, reafirmou nesta sexta que as novas taxas aduaneiras impostas pelo presidente americano, Donald Trump, violam, em sua opinião, os "princípios da Organização Mundial de Comércio" (OMC) e ela disse esperar uma mudança nessa decisão "graças ao diálogo" em uma coletiva de imprensa com seu equivalente sueco em Berlim. 

Embora tenha decidido enviar seu ministro de Economia para os Estados Unidos para tratar da questão, a chanceler insistiu que será a Europa quem deverá dar uma resposta às tensões. 

"A melhor resposta é um comportamento unificado dos Estados-membros da União Europeia", declarou Merkel nesta quarta-feira. 

Mas, se a etapa anterior de diálogos com Washington não render resultados, ela não temeria "tomar medidas", acrescentou. 

Trump impôs, em 8 de março, taxas de 25% às importações de aço para os Estados Unidos e de 10% às de alumínio, ignorando as repetidas advertências de muitos de seus aliados, com a UE à frente. As novas tarifas entrarão em vigor ainda neste mês. 

A Comissão Europeia se mostrou disposta a aplicar medidas de represália contra produtos americanos emblemáticos. 

A curto prazo, a Alemanha não deveria sofrer muito com as novas taxas de Washington, já que o país representou apenas 4,6% das importações americanas de aço em 2017, muito atrás de Canadá, Brasil e Rússia. 

Contudo, existe um "risco real para a Alemanha", garante Carsten Brzeski, economista da ING Diba, já que o excedente comercial alemão com os Estados Unidos superou os 50 bilhões de euros em 2017.