A rede elétrica europeia sofre desde meados de janeiro um problema de alimentação em Kosovo que afeta a distribuição de energia em 25 países, indicou nesta quarta-feira (7) a ENTSO-E, organização que reúne os operadores de rede na Europa.
Esta alimentação insuficiente, incomumente longa, causa atrasos nos relógios dos aparelhos conectados à rede elétrica, como os micro-ondas e rádios relógios, como foi observado em vários países, entre eles a Bélgica.
Concretamente, a frequência elétrica de 50 Hertz, que permite à rede interconectada funcionar corretamente, já não é respeitada. A média registrada desde meados de janeiro é de 49,996 Hz, segundo a Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E).
"Pequenos desvios de frequência ocorrem o tempo todo, mas neste caso se prolongou durante muito tempo (...) porque há um problema de desequilíbrio em Kosovo", disse à AFP Claire Camus, uma das porta-vozes da organização, apontando para um "problema político" entre Sérvia e Kosovo.
"Não existem riscos em termos de segurança do fornecimento, mas a qualidade da frequência sofre por este problema de alimentação", acrescentou a porta-voz.
Os relógios dos aparelhos elétricos que não foram modificados desde meados de janeiro mostram atualmente um atraso de cerca de seis minutos, aponta a ENTSO-E.
Segundo uma fonte próxima ao caso, o problema estaria na alimentação elétrica de um dos enclaves sérvios de Kosovo, território cuja independência não é reconhecida pela Sérvia desde 2008 e cujo acesso à rede passa por Belgrado.
Vinte e cinco dos 36 países europeus sócios da ENTSO-E estão vinculados a esta rede interconectada de linhas de alta tensão que funcionam de maneira sincronizada.
A empresa sérvia de transporte de eletricidade EMS admitiu a falta de 113 Gigawatts-hora (Gwh) de eletricidade na rede comum durante este período, acusando o operador kosovar KOSTT de ter se beneficiado de maneira "ilícita" de quantidades acima do "acordado".
Ao ser responsável pela zona de Kosovo, a EMS afirmou que mobilizou todos os esforços para acabar com esta situação, detalhando que o operador kosovar começou a respeitar novamente as regras do jogo em 3 de março.
Em Pristina, o diretor adjunto da KOSTT, Kadri Kadriu, explicou o problema pelo fornecimento de energia elétrica não faturado do norte de Kosovo, uma zona habitada por cerca de 40 mil sérvios e que foge ao controle das autoridades kosovares.