Puigdemont não convoca eleições e futuro da Catalunha segue incerto

O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, decidiu seguir com a estratégia de não esclarecer suas reais intenções em relação ao desafio independentista da região espanhola. Em declaração feita nesta quinta-feira (26) às 17h (13h no horário de Brasília), no Palácio do governo, em Barcelona, Puigdemont, mais uma vez, fez declarações consideradas confusas.

Havia a expectativa de que ele anunciasse a desistência de declarar a independência da região e optasse por convocar eleições. No entanto, o líder catalão descartou a possibilidade de novas eleições por entender que não há garantias que as justifiquem. "Minha responsabilidade é esgotar todas as vias para encontrar uma solução ao conflito político e de natureza democrática", afirmou. Puigdemont também não afirmou se pretende seguir com os planos de declarar a independência da região.

Ao longo da manhã, centenas de estudantes catalães protestaram contra a aplicação do Artigo 155 da Constituição espanhola, que pode suspender a autonomia da região e marcar novas eleições. Diante de tantas inseguranças, os manifestantes se voltaram contra o líder separatista aos gritos de "traidor", por acreditarem que ele está sendo desleal ao não declarar oficialmente a independência.

No dia 1º de outubro, cerca de dois milhões de pessoas foram às urnas na Catalunha se manifestar, em um referendo, sobre a independência da região. Cerca de 90% dos eleitores votaram pela independência da Catalunha, mas o pleito foi considerado ilegal pelo governo espanhol, que não reconheceu o processo e ameaça agora usar um artigo da Constituição do país para suspender a autonomia da região.

Nesta quinta-feira, Puigdemont enviou ao Senado uma carta de oito páginas em que dizia que a aplicação do Artigo 155 criaria uma situação ainda mais grave do que a atual. Ele argumentou que o artigo não é um cheque em branco e não permite ao Governo central destituir as instituições catalãs.

Uma comissão do Senado espanhol vai avaliar, hoje à tarde, a aplicação do Artigo 155, que será votada amanhã de manhã. Apesar do cenário incerto, a expectativa é de que o Senado dê prosseguimento para colocar em prática o texto constitucional, que pode destituir Puigdemont e suspender a autonomia da Catalunha.