Incerteza marca reta final de campanha eleitoral na França

Quatro candidatos têm chances de chegar ao segundo turno

A acirrada campanha presidencial na França entrou em sua última semana antes do primeiro turno do mesmo jeito que havia começado: recheada de incertezas, pelo menos segundo as pesquisas de intenção de voto.

De acordo com um levantamento do instituto Elabe divulgado nesta segunda-feira (17), pelo menos quatro candidatos têm chances reais de chegar ao segundo turno: o independente Emmanuel Macron, do Em Marcha! (24%); a ultranacionalista Marine Le Pen, da Frente Nacional (23%); o conservador François Fillon, d'Os Republicanos (19,5%); e o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, do movimento França Insubmissa (18%).

Até alguns dias atrás, os números apontavam cada vez mais para uma disputa entre Macron e Le Pen, porém um repentino crescimento de Mélenchon, um eurodeputado que ameaça tirar o país da União Europeia e é admirador de Fidel Castro e Hugo Chávez, bagunçou as cartas na mesa.

O candidato chegou a alcançar os 20% de intenções de voto e depois caiu para os atuais 18%, mas ele tenta capitalizar o descontentamento da população com as instituições - principalmente as europeias - e cativar os pouco mais de 30% de eleitores que continuam indecisos.

Nesta segunda-feira, Mélenchon fez um "comício flutuante" a bordo de um barco nos canais de Paris para atrair o maior número possível de militantes e mobilizar seus apoiadores. "Chegar ao segundo turno é possível, mas ainda não vencemos. Vocês devem se preparar, dar seu máximo, não me deixem sozinho", disse.

Já Macron, o mais europeísta dos quatro principais candidatos, discursou para cerca de 20 mil pessoas em Paris e prometeu "devolver o otimismo à França". O discurso é bastante semelhante ao do ex-primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi, que ascendeu com uma postura crítica aos políticos tradicionais e se tornou o mais jovem a comandar seu país, feito ao qual Macron, com 39 anos, também almeja.

Ex-ministro das Finanças do presidente François Hollande, o postulante ao Palácio do Eliseu rompeu com o Partido Socialista e fundou o movimento Em Marcha!, que diz não ser de esquerda nem de direita e tem uma plataforma liberal e pró-Europa.

"Não somos contra aqueles que querem fechar as fronteiras. Não os vaiem, os combatam. A França deve voltar a ser forte, mas solidária", declarou, tendo como alvo aquela com quem vem polarizando a disputa pela liderança nas pesquisas: Marine Le Pen.

A ultranacionalista abriu a última semana de campanha do primeiro turno com um comício no teatro Zenith, também em Paris, marcado por confusões entre eurocéticos e grupos contrários à Frente Nacional. Segundo o partido de extrema direita, o deputado Gilbert Collard foi agredido por manifestantes.

"Agora é a hora da escolha, uma escolha histórica, uma escolha de civilização", afirmou Le Pen, acrescentando que "a França renasce ou afunda". Ela ainda acusou seus adversários de quererem transformar o país em uma "vaga região trancada na prisão da União Europeia".

Embora ocupe a terceira colocação, Fillon, por sua vez, luta para se mostrar um candidato viável após as denúncias de que teria contratado a esposa, Penelope, para um emprego fantasma de assessora parlamentar. O escândalo tirou o conservador da posição de principal adversário de Le Pen e abriu espaço para Macron, que tende a capitalizar os votos perto do centro.

As eleições presidenciais da França serão no próximo domingo (23), e as urnas ficarão abertas entre 8h e 19h (horário local). Os dois candidatos mais votados irão para o segundo turno, que acontecerá em 7 de maio. Além disso, em 11 e 18 de junho, o país realizará eleições parlamentares para definir se o novo presidente terá maioria no Congresso.