O Ministério da Defesa da Rússia anunciou oficialmente ao Pentágono o fechamento da chamada "linha direta" para prevenir acidentes entre os aviões russos e norte-americanos na Síria a partir deste sábado (8).
O comunicado foi feito pelo porta-voz do Ministério, general Igor Konashenkov.
O acordo de notificação entre os dois países estava em vigor desde 2015, mas foi revogado após o ataque de Donald Trump contra a Síria nesta quinta-feira (6).
O presidente da Síria, Bashar al Assad, disse que o bombardeio dos Estados Unidos à base militar de Shayrat foi "imprudente" e "irresponsável", de acordo com fontes ligadas a sua equipe. O conselheiro político de Bashar al Assad, Buthayna Shaaban, afirmou que a Síria e seus aliados "responderão de maneira apropriada" ao bombardeio dos Estados Unidos contra a base militar de Shayrat.
O bombardeio dos Estados Unidos à base militar síria de Shayrat deixou 15 pessoas mortas, de acordo com a agência estatal Sana. O balanço incluiria seis soldados e nove civis. De acordo com o veículo, os mísseis norte-americanos não atingiram apenas a base, mas também habitações nos vilarejos próximos.
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo por "moderação". "Ciente dos riscos de uma escalada, apelo à moderação para evitar qualquer ato que possa piorar o sofrimento do povo sírio", comentou Guterres.
O primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou que, atacando a base militar síria, os Estados Unidos chegaram "a um passo de um confronto com a Rússia": "Os resíduos da névoa pré-eleitoral apareceram. Ninguém exagera o valor das promessas eleitorais, mas há um limite de decência além do qual a desconfiança é absoluta. O que é absolutamente triste para as nossas relações já absolutamente desgastados. E certamente é confortante para os terroristas".
Os Estados Unidos atacaram a Síria na noite desta quinta-feira (6), lançando pelo menos 50 mísseis em um intervalo de poucos minutos contra uma base aérea do regime de Bashar Al-Assad. Os disparos são dados publicamente como uma resposta ao ataque com armas químicas em Idlib.
A emissora pública estatal da Síria classificou a ação como uma "agressão norte-americana", de acordo com a agência de notícias russa Sputnik. O Pentágono tinha destacado à agência de notícias russa que o ataque teria evitado postos de atuação de militares russos.
Até o momento, os Estados Unidos realizavam ações na Síria contra o Estado Islâmico (EI) e por meio de bombardeios aéreos também no Iraque, com o apoio de uma coalizão internacional.
Os disparos desta quinta-feira, porém, foram diretamente contra o regime sírio, e representam uma mudança na política externa dos EUA com o governo de Donald Trump, além de ser a ordem militar mais dura emitida pelo magnata desde que tomou posse.
Os mísseis disparados são do tipo "Tomahawk", de médio alcance e invisíveis a radares, e partiram de dois navios norte-americanos no Mar Mediterrâneo.
O republicano Trump não tinha anunciado nenhum ataque contra a Síria, apesar de seus comentários sobre a guerra civil local terem se intensificado nos últimos dias.
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Histórico
A guerra civil na Síria começou há seis anos como um levante pacífico contra o governo de Assad e inspirado na Primavera Árabe. Sob a gestão de Barack Obama, os EUA apoiaram os rebeldes e pediram a saída de Assad do poder.
O líder sírio recebeu apoio de outros países, como a Rússia, e conseguiu se manter.
Na última terça-feira, um ataque químico contra uma região controlada por rebeldes matou ao menos 80 pessoas, entre elas 27 crianças. Em um pronunciamento, Trump disse que se tratava de "uma afronta à humanidade".
Da Agência Ansa