Governo sírio acusa “terroristas” e Turquia por ataque químico no país

O regime do presidente sírio Bashar al Assad afirmou hoje (5) que o ataque com armas químicas ocorrido segunda-feira (3) na cidade de Khan Sheikhoun, no norte do país, no qual morreram pelo menos 72 pessoas, foi cometido por terroristas com ajuda da Turquia. As informações são da agência espanhola EFE.

"As organizações terroristas e aqueles que as apoiam cometeram isto para culpar o Estado sírio. O governo de Assad informou que grupos terroristas introduziram substâncias tóxicas no país a partir da Turquia para seu uso posterior", declarou à agência de notícias russa Interfax o embaixador sírio em Moscou, Riad Haddad.

Ele refutou as acusações de alguns países, com França e Reino Unido, que não demoraram em responsabilizar o regime de Assad pelo ataque. "A Síria nega categoricamente qualquer emprego de gases tóxicos, tanto no passado como no futuro, seja em Khan Sheikhoun ou em qualquer outra cidade do país”, destacou.

O exército sírio, acrescentou Haddad, "não tem armas químicas", já que "a Síria aderiu à Organização para a Proibição das Armas Químicas em 2013 e cumpriu com todas suas obrigações com a convenção para a proibição de armas químicas".

Rússia apoia

A Rússia garantiu hoje que segue apoiando o exército sírio, apesar das acusações contra o regime de Assad, e deixou entrever que vetará a resolução apresentada no Conselho de Segurança da ONU pela França e Reino Unido para punir o regime de Damasco.

"A Rússia e suas forças armadas continuam a operação de apoio às operações antiterroristas para a libertação do país conduzidas pelo exército da Síria", disse Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.Sobre a votação do Conselho de Segurança sobre o incidente ele assegurou que "a Rússia apresentará de maneira argumentada os dados que foram compilados por seu Ministério de Defesa".

O porta-voz do Ministério da Defesa russo, general Igor Konashenkov, informou hoje que a aviação síria bombardeou ontem, durante uma hora, um depósito de armas dos insurgentes que abrigava uma oficina para a produção de armas "tóxicas" destinadas ao Iraque.

"Os combatentes enviavam ao Iraque armas deste enorme arsenal de armamento químico. Sua utilização pelos terroristas foi demonstrada tanto pelas organizações internacionais como pelo governo iraquiano", destacou.

Investigação

Desde o início da intervenção aérea russa na Síria, há mais de um ano e meio, Moscou nega todas as acusações de bombardeios indiscriminados contra a população civil do país.

Tanto as potências ocidentais como a China e a ONU pediram uma investigação objetiva do bombardeio, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Reino Unido acusaram Damasco pelo ataque químico, que a França qualificou de "crime de guerra".

Médicos Sem Fronteiras

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirmou nesta quarta-feira (5) que as vítimas do último ataque na Síria atendidas por seu pessoal apresentam sintomas compatíveis com a exposição a um agente neurotóxico, como o gás sarin.

A MSF explicou em comunicado que uma de suas equipes médicas está prestando apoio ao serviço de emergência do hospital Bab Al Hawa, na província de Idlib, onde aconteceu o ataque, e pôde confirmar os sintomas nos pacientes.

“Pelo menos oito dos feridos mostraram sintomas compatíveis com a exposição a um agente neurotóxico como o gás sarin ou compostos similares, que vão desde pupilas dilatadas e espasmos musculares até defecação involuntária”, segundo a MSF.

O ataque em Khan Sheikhoun, que foi fortemente condenado pela comunidade internacional, causou a morte de mais de 70 pessoas e deixou mais de 200 feridos, segundo os últimos dados levantados pelas Nações Unidas.

Dois agentes químicos

Os médicos da MSF que estão na região visitaram outros hospitais onde as vítimas do ataque estão recebendo tratamento e informaram que os pacientes exalavam cheiro de lixívia, o que sugere que teriam sido expostos a cloro.

"Estes relatórios apontam com firmeza a que as vítimas do ataque em Khan Sheikhoun foram expostas a, pelo menos, dois agentes químicos diferentes", segundo a ONG, que administra quatro centros de saúde no norte da Síria e dá suporte a outros 150.