Apesar de sua situação se complicar cada vez mais, o candidato conservador à Presidência da França, François Fillon, do partido Os Republicanos, negou nesta segunda-feira (6) que esteja pensando em abandonar a disputa devido aos escândalos em que está envolvido.
Ex-primeiro-ministro do país, Fillon era vice-líder nas pesquisas e favorito para derrotar a ultranacionalista Marine Le Pen (Frente Nacional) no segundo turno, mas viu suas intenções de voto caírem após o inquérito que o investiga por supostamente ter dado um emprego fantasma para sua esposa, Penelope, quando era deputado.
"Nada me fará mudar de ideia, sou candidato à Presidência, e candidato para vencer", declarou o ex-premier. "Linchar, assassinar um candidato, como vocês fizeram na semana passada, representa um problema para a democracia", acrescentou, referindo-se à imprensa.
Fillon é suspeito de ter empregado a mulher em um cargo fictício de assessora parlamentar entre 1998 e 2007, tanto no seu gabinete, entre 1998 e 2002, como no de seu suplente, até 2007. Penelope teria recebido pelo menos 500 mil euros em oito anos como funcionária da Assembleia Nacional. A contratação de parentes para cargos públicos não é ilegal na França, mas suspeita-se que ela não aparecia para trabalhar.
Além disso, também está sendo investigada uma colaboração da esposa do candidato para a revista de literatura "Revue des Deux Mondes", comandada por um amigo de Fillon, Marc Ladreit de Lacharrière. Em 15 meses, a publicação teria pagado 100 mil euros para Penelope, que escreveu apenas algumas resenhas nesse período. Um ano antes da contratação, Lacharrière havia recebido do governo a "grande cruz da Legião de Honra".
"Foi um erro, me arrependo profundamente e peço desculpas aos franceses", admitiu Fillon, mas dizendo ter agido "de acordo com as práticas legais". "Meu programa atrapalha a ordem estabelecida, foram 10 dias de linchamento midiático durante os quais só a acusação teve a palavra", ressaltou o candidato, que se coloca como um "outsider", apesar da longa carreira política e de ter sido primeiro-ministro entre 2007 e 2012, na Presidência de Nicolas Sarkozy.
Sua postura é reflexo do sucesso de Marine Le Pen, que afirma ser contra o "sistema" e forçou os outros candidatos a seguirem pelo mesmo caminho. A última pesquisa divulgada no país, realizada pelo instituto Opinion Way, mostra a ultranacionalista na liderança, com 26% das intenções de voto.
Em segundo lugar aparece o ex-ministro de Economia Emmanuel Macron (23%), um liberal que diz não ser "nem de esquerda, nem de direita" e se apresenta como "terceira via". Já Fillon está em terceiro, com 20%, à frente do ex-ministro da Educação Benoît Hamon, do Partido Socialista, com 14%.
No segundo turno, tanto Macron (65% a 35%) quanto Fillon (61% a 39%) venceriam Le Pen. As eleições na França estão marcadas para os dias 23 de abril e 7 de maio.