Avalanche na Itália pode não ter sido causada por terremoto

Deslizamento deixou pelo menos quatro mortos no hotel Rigopiano

A avalanche que destruiu o hotel Rigopiano, em Farindola, no centro da Itália, deixando pelo menos quatro mortos e dezenas de desaparecidos, pode não ter sido causada pela série de terremotos da última quarta-feira (18).

É o que disse à ANSA o especialista Valerio Segor, dirigente do Serviço Hidrogeológico de Vale d'Aosta, região montanhosa situada no extremo-norte do país e que convive com constantes deslizamentos de neve.

"É muito improvável que a causa da avalanche tenha sido o terremoto. Diferentemente de deslizamentos, as avalanches têm um gatilho imediato, e os tremores ocorreram antes da queda da massa de neve", declarou Segor, considerado um dos maiores especialistas alpinos da Itália.

Além disso, ele questionou a construção de um hotel em uma área tão sujeita a desastres naturais desse tipo. O Rigopiano fica no maciço de Gran Sasso, na região de Abruzzo, em plena cordilheira dos Apeninos, que corta o país no sentido norte-sul.

"Não é normal construir um resort na desembocadura de um desfiladeiro, ainda que seja preciso fazer mais avaliações. Em certas zonas de risco, é preciso ter medidas como eventuais obras contra avalanches e procedimentos de evacuação", acrescentou Segor.

Há relatos de que os hóspedes do Rigopiano já haviam feito checkout para ir embora, mas não conseguiram deixar o hotel a tempo devido a um atraso no envio de um caminhão limpa-neve que desobstruiria a estrada.

O estabelecimento tinha recebido um alerta de avalanche emitido pelo serviço nacional de prevenção contra deslizamentos de neve e que apontava risco de nível 4 na zona do maciço de Gran Sasso - o máximo é 5.

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