'El País': Desafios contra corrupção na América Latina

Jornal espanhol cita caso da Petrobras no Brasil, Casa Branca no México entre outros

O jornal espanhol El País traz em sua edição desta sexta-feira (9) uma matéria sobre a corrupção na América latina. O último registro medido de Controle Índice de Corrupção do Banco Mundial aponta que seis dos 20 países da região (30%) atingiram o pior valor que eles já tiveram, em comparação com apenas 9% dos países do mundo, tendo sua pior avaliação da história.

O diário cita os casos da Petrobras no Brasil; Casa Branca no México; Linha na Guatemala; Instituto de Segurança Social em Honduras; Caval, Penta e SQM no Chile e no Peru, entre outros, que têm colocado a questão das políticas anti-corrupção no centro da agenda da região.

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El País analisa que vários fatores explicam por que a tolerância a corrupção está menor do que nunca: uma classe média maior e mais capacitada, redes sociais que facilitam a organização de protestos em massa e transformam cada manifestante em um potencial repórter capaz de detalhar os escândalos rapidamente através da publicação de vídeos, envio de e-mails e áudios.

O primeiro desafio colocado pelos escândalos de corrupção é que os casos sejam investigados e as pessoas envolvidas assumam suas responsabilidades, tanto jurídica, quanto política. O desafio é enorme porque historicamente, pouco ou nada aconteceu nesta área, opina El País.

O periódico destaca que o grau de autonomia do Judiciário é um importante fator para compreender as diferenças no grau de responsabilidade das pessoas envolvidas em escândalos de corrupção em diferentes países. Novas gerações de promotores e mais eficazes às recentes reformas dos sistemas processuais penais explicam por que no Brasil e no Chile a justiça tem desempenhado um papel importante e nunca visto antes de investigar e levar à justiça os responsáveis. Isto contrasta com países como Argentina, México e Venezuela, onde a falta de independência do poder judicial explica uma generalizada impunidade.

O segundo desafio colocado por escândalos de corrupção é o de promover reformas que abordem os sintomas e as causas profundas deste flagelo. Várias estratégias para explorar essa janela de oportunidade estão sendo testadas em diferentes países da região.

Outra estratégia para aproveitar a janela de oportunidade oferecida pelos escândalos de corrupção são as comissões presidenciais. Estas comissões podem apresentar propostas com mais legitimidade do que o Executivo e o Congresso, como o último geralmente têm baixos níveis de credibilidade, finaliza El País.