Chanceleres latinos pedem manutenção de diálogo na Venezuela

Oposição se recusa a debater se governo não cumprir acordos

Os chanceleres do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Guatemala, México, Paraguai, Peru e Uruguai emitiram uma nota conjunta nesta quarta-feira (7) em que pedem a manutenção dos diálogos entre oposição e governo na Venezuela.

O comunicado destaca a "importância de um tratamento mútuo respeitoso e do cumprimento estrito dos acordos alcançados no âmbito deste diálogo, que são essenciais para gerar a confiança necessária, para assegurar o envolvimento permanente de todas as partes e para avançar na solução das diferenças, em benefício do povo venezuelano".

Os representantes ainda destacaram os "esforços dos ex-presidentes e a contribuição prudente do Vaticano, que deve ser altamente apreciada por todas as partes", já que essa é uma "ajuda desinteressada" que favorece a busca pelo diálogo.

No entanto, apesar de contar com o apoio dos países latinos, a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) anunciou que vai reativar "imediatamente" os protestos nas ruas de Caracas e que não aceita a retomada das conversas no dia 13 de janeiro.

Os opositores acusam o governo de Nicolás Maduro de não cumprir com parte dos acordos acertados em 12 de novembro que, entre outras coisas, pedem a libertação dos chamados presos políticos e a definição de uma data para eleições presidenciais.

"Não voltaremos a nos reunir com os representantes do Executivo até que não se cumpram os acordos. Queremos garantir o respeito que a Constituição outorga à Assembleia Nacional. Assim, imediatamente sentaremos para negociar se os acordos foram cumpridos", disse Jesús Torrealba, secretário da MUD.

Novas notas

Além da crise política, a Venezuela enfrenta uma grave crise econômica. Por isso, o governo de Caracas determinou que, a partir do dia 15 de novembro, comecem a circular seis novas notas de dinheiro no país.

Nos valores de 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000 bolívares, a medida tenta conter a enorme desvalorização da moeda no país. Atualmente, a nota mais alta equivale a 100 bolívares.

O presidente do Banco Central Venezuelano, Nelson Merentes, afirmou que a medida é que "isso acelera as transações comerciais onde será necessários, já que a nota de 500 substitui, por exemplo, cinco notas de 100".