'WSJ': Empresas dos EUA já sofrem com a escassez da mão de obra mexicana

matéria publicada nesta terça-feira (29) pelo The Wall Street Journal conta que em Dallas, a empresa de construção King of Texas Roofing Co. diz ter recusado projetos no valor de US$ 20 milhões nos últimos dois anos porque não tem um número suficiente de operários. Na região de San Francisco, Joe Hargrave está expandindo sua bem- sucedida cadeia de restaurantes Tacolicious, mas diz que está construindo estabelecimentos menores devido “a uma escassez maciça de trabalhadores”. E na Flórida, Steve Johnson, que colhe laranjas para a indústria cítrica, diz que, “neste momento, se eu tivesse 80 homens, eu poderia arrumar trabalho para cada um deles”.

A reportagem do Journal diz que à medida que as contratações aumentam e o mercado de trabalho dos Estados Unidos fica mais apertado graças a uma recuperação econômica estável, empregadores que precisam de trabalhadores de baixa qualificação estão tendo cada vez mais dificuldade para preencher vagas. Uma grande razão: a oferta de trabalhadores mexicanos, que são a espinha dorsal da mão de obra de setores como hotelaria, construção e agricultura. O presidente eleito Donald Trump disse durante a campanha que iria deportar imigrantes ilegais e construir um muro para prevenir que outros entrassem nos EUA. Recentemente, ele amenizou o discurso, dizendo que iria se concentrar na remoção de imigrantes ilegais que cometeram crimes, pelo menos inicialmente.

O jornal norte-americano destaca que muitos empresários que dependem de trabalhadores pouco qualificados para tocar seus negócios dizem que o verdadeiro problema é que bem poucos mexicanos estão indo para o norte. “Sem a mão de obra mexicana nossa indústria está parada”, diz Nelson Braddy Jr., dono da King of Texas Roofing Co., firma que está ajudando na construção da nova sede da Toyota na América do Norte, em Dallas. Ele diz que contrataria 60 trabalhadores com experiência em telhados imediatamente se os encontrasse. “É o pior que já vi em minha carreira”, acrescenta.

De acordo com o noticiário o fluxo de imigrantes ilegais do México aos EUA caiu de cerca de 350 mil por ano em meados dos anos 2000 e mais de meio milhão no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 para cerca de 100 mil por ano desde 2009, segundo estimativa do centro de pesquisas Pew Research Center. Prisões de mexicanos e de imigrantes de outros países tentando entrar ilegalmente nos EUA feitas pela patrulha de fronteira americana caíram para 337.117 em 2015, o menor número desde 1971. Diversos fatores estão por trás do declínio. As famílias mexicanas são menores e suas crianças têm educação de melhor qualidade; alguns Estados mexicanos lançaram campanhas para desencorajar jovens de fazer a perigosa jornada rumo ao norte; e traficantes estão cobrando mais para transportar migrantes através de territórios frequentemente controlados por cartéis de drogas e para atravessar uma fronteira muito mais protegida que antes. Nos EUA, uma população que envelhece, as demandas físicas de muitos empregos industriais e a tendência de muitos jovens de buscar diplomas universitários também colaboram para a escassez de mão de obra. Ao mesmo tempo, o Congresso americano fracassou na tentativa de chegar a um acordo sobre uma política de imigração que atenda às necessidades dos empregadores de uma força de trabalho legal e constante.

Muitos empregadores americanos dizem que a falta de mão de obra está elevando os salários, o que é uma boa notícia para os trabalhadores pouco qualificados. Mas isso também está elevando custos, o que pode limitar investimentos e alimentar a inflação. As evidências de que há escassez de mão de obra estão aumentando. Os setores de restaurantes e hotelaria combinados tinham em maio 700 mil vagas não preenchidas, uma taxa de 5,1% de empregos disponíveis, a mais alta desde 2001, segundo o Escritório de Estatísticas do Departamento de Trabalho dos EUA, finaliza The Wall Street Journal.