'El País': Venezuela e o golpe de Estado

Artigo fala sobre a decisão de Maduro em não fazer eleição presidencial 

Não houve nenhuma semana, nos últimos meses, em que o presidente venezuelano Nicolás Maduro não denuncie publicamente uma tentativa de golpe contra o seu governo diz o artigo publicado nesta sexta-feira (7) pelo jornal espanhol El País. Nada realmente aconteceu até agora. No entanto, o que aconteceu com a Venezuela, diríamos que em câmera lenta, é um golpe de Estado, que teve como a cereja do bolo o anúncio presidencial de que não haverá eleições naquele país nem em 2016 nem em 2017.

Em seu texto, Andrés Cañizales observa que a omissão da eleição sob a desculpa de que a prioridade é enfrentar a crise econômica é claramente uma questão que viola a constituição. Realmente não é a primeira vez em que a constituição de 1999 é violada de forma flagrante pelo regime de Maduro, especialmente durante este ano de 2016, com o profundo descontentamento popular contra o "filho político" de Hugo Chavez, como é chamado o próprio presidente venezuelano.

> > El País Venezuela: el golpe desde el Estado

A publicação diz que a Constituição é muito clara ao afirmar que os governadores devem ser eleitos por voto popular a cada quatro anos e a última vez que se votou para governantes na Venezuela foi precisamente em dezembro de 2012.

A tese de Maduro é que a prioridade para o país é resolver a crise econômica que aflige a Venezuela. Isso já havia sido resolvido pelo governo do Partido Socialista Unido adjunto da Venezuela (PSUV), Pedro Carreño, que disse em 21 de setembro que a eleição de governadores regionais não era uma prioridade para o país. El País acrescenta que o corpo eleitoral, cujo conselho está em uma relação de 4-1 em favor de Chavez simplesmente não disse nada, como se não existissem estas eleições.

Andréz afirma que Maduro viola o direito de escolha de autoridades por parte dos cidadãos; desrespeita abertamente a separação de poderes, e isto é um sinal claro de que Chavez -politicamente- administra as instituições e o Estado de direito como uma massa, adaptando-o à sua conveniência.

Há outros sinais do acidente vascular cerebral do Estado que vem acontecendo em câmera lenta na Venezuela, sob o olhar impassível da comunidade internacional, opina Andrés Cañizález para artigo publicado no El País.

O orçamento nacional de 2017 não será apresentado à Assembléia Nacional (parlamento agora dominado pela oposição democrática), que é uma outra violação constitucional; e vale lembrar das prisões políticas, sem que haja qualquer ordem judicial prévia, colocando os presos em situações que violam seus direitos humanos. 

Quanto a este último um exemplo o autor destaca o caso do estudante Yon Goicochea, ex-líder que foi preso no final de agosto e no primeiro mês de prisão não viu a luz do sol e seus advogados foram impedidos de encontra lo por duas semanas.