WSJ: Clinton levou relações com Rússia até o nível mais baixo

Política de Hillary se tornou um desastre para as relações bilaterais

As relações entre a presidenciável norte-americana Hillary Clinton e Moscou atingiram o nível mais baixo em 2011, quando a então secretária de Estado dos EUA condenou publicamente as eleições parlamentares russas, depois de uma tentativa fracassada de ‘reset’ das relações russo-americanas, afirmou o jornal The Wall Street Journal.

Durante os debates presidenciais desta segunda-feira (26), Hillary Clinton declarou que não confia no presidente russo e que essa desconfiança é mútua. Segundo ex-diplomatas russos, Moscou considera como uma ameaça os programas de Clinton para a "proliferação da democracia". 

"Clinton é a encarnação de um rumo de intervencionismo liberal bem definido", disse ao The Wall Street Journal o cientista político russo e editor-chefe da revista Rússia na Política Global Fyodor Lukyanov. "A Rússia vê nisso uma ameaça." 

Além das diferenças de visões políticas, a hostilidade nas relações entre Clinton e Moscou foi provocada por uma série de incidentes pessoais. "Clinton nunca gostou de trabalhar com Putin ou Lavrov. Penso que este sentimento é mútuo", disse Lukyanov.

Quando a política encabeçou o Departamento de Estado norte-americano em 2009, uma das suas primeiras tarefas foi o "reset" das relações bilaterais. Tudo terminou com uma situação pouco confortável – ao invés da palavra "reinício" o botão oferecido por Clinton a Lavrov dizia "sobrecarga".

Apesar de situação confusa, Clinton e Lavrov conseguiram pressionar o botão perante as câmeras. Entretanto, quatro anos depois, quando o seu termo de secretária de Estado estava terminando, ela escreveu uma carta privada ao presidente Barack Obama dizendo que as relações com a Rússia atingiram o nível mais baixo. 

Na sua autobiografia, Clinton disse que depois da sua reação às eleições parlamentares de 2011 Putin ficou indignado. O Kremlin pensa que assim Clinton provocou protestos no país. Alguns analistas afirmam que uma das razões para essa animosidade pode ser o fato de o Kremlin não querer que os EUA sejam encabeçados por uma mulher. A política russa é dominada por homens e uma mulher presidenta pode ser considerada como uma ameaça.