O presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas e o presidente da Rússia Vladimir V. Putin podem ter mais em comum do que o interesse nas conversas sobre a paz no Oriente Médio, sugeriu o New York Times na quarta-feira (7). A descoberta de um novo documento soviético apontou que Abbas teria também trabalhado para a KGB.
A possibilidade foi divulgada inicialmente pela imprensa israelense, ainda na quarta-feira, e negada por oficiais da Palestina. O documento encontrado faz parte de um arquivo britânico, que lista agentes soviéticos de 1983.
De acordo com o NYT, a referência a Abbas, contudo, é "enigmática" -- duas linhas o identificariam pelo codinome "Mole", com as palavras "K.G.B. agent".
A sugestão da participação de Abbas na KGB surgiu justamente no momento em que Putin tenta estimular conversas entre o líder palestino e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Uma dos pesquisadores do Truman Institute da Hebrew University of Jerusalem, que descobriram e divulgaram o documento para a mídia israelense, Isabella Ginor destacou que as descobertas sobre o passado de Abbas são importantes devido à possível continuidade da influência da Rússia sobre ele.
"Nós não sabemos o que aconteceu depois disso e se Abu Mazen continuou com seu serviço ou se trabalhou para os soviéticos", disse Isabella Ginor, se referindo a Abbas com outro nome, conforme publicou o NYT.
Autoridades da Palestina, todavia, desprezaram as indicações do relatório dos pesquisadores, definindo a situação como um esforço para minar Abbas no momento em que ele luta com a dissidência em casa. "Há uma tendência clara de tentar prejudicar Abbas por várias questões, incluindo Israel", disse o membro de um comitê do partido de Abbas ao jornal israelense Haaretz. "Esta é mais uma tentativa de difamá-lo", completou.
O documento que nomearia Abbas estava entre milhares de páginas de documentos retirados da Rússia após a queda da União Soviética, e entregue à inteligência britânica por um ex-arquivista da KGB, Vasily Mitrokhin. Este passou anos copiando documentos secretos a mão e teria, inclusive, guardado tais cópias em uma garrafa de leite, que foi enterrada no jardim. Ele chegou a oferecer as informações para a CIA, mas foram os britânicos que viram alguma finalidade nelas, e encaminharam os papéis para a Universidade de Cambridge.