Itália e Egito debatem dossiê sobre assassinato de italiano

Morte de Giulio Regeni gera tensão política entre países

Os investigadores italianos e egípcios se reuniram nesta quinta-feira (7) em Roma para trocar informações sobre o caso do homicídio do pesquisador italiano Giulio Regeni, ocorrido no Cairo, em março. Durante o encontro, que durou mais de cinco horas, os especialistas e as autoridades apresentaram documentos recolhidos sobre as atividades do italiano no Egito, imagens de câmeras de um sistema de segurança, dados recolhidos em celulares e computadores - além dos resultados das duas autópsias feitas no corpo do estudante.    

Os representantes de ambas as delegações saíram sem dar detalhes sobre os dados apresentados. Segundo informações do próprio governo, o dossiê egípcio tinha mais de duas mil páginas e contava com mais de 200 depoimentos de conhecidos, amigos e familiares de Regeni. Amanhã (08), os representantes farão mais uma reunião sobre os dados apreendidos e, ao fim do encontro, darão uma entrevista coletiva conjunta. Nas últimas semanas, o clima entre as duas nações tem ficado tenso, com trocas de acusações frequentes.    

A mídia egípcia chegou a ventilar que os investigadores do Cairo poderiam fazer uma visita aos pais dos jovens, mas a família negou contato. O ministro das Relações Exteriores, Paolo Gentiloni, chegou a ameaçar "reagir" contra o governo do Cairo caso a "verdade" sobre o assassinato do pesquisador não fosse revelada. Por sua vez, os representantes do governo do Egito afirmaram que esses comentários "atrapalhavam" a busca pelos fatos.    

Inicialmente, a morte do pesquisador era tida como crime comum, mas aos poucos começou a ganhar contornos de assassinato político, colocando à prova as boas relações entre Itália e Egito. Regeni estava no Cairo para uma pesquisa acadêmica sobre a economia local e sindicatos independentes - que são proibidos no país -, mas também contribuía com o jornal comunista "Il Manifesto". Ele desapareceu no dia 25 de fevereiro, após pegar um metrô na capital, e seu corpo foi encontrado em uma vala no dia 3 de fevereiro.    

Antes de sumir, ele chegou a enviar um artigo - publicado após sua morte -, pedindo para o diário usar um pseudônimo e com fortes críticas ao governo de Abdel Fattah al-Sisi. Vários jornais, especialmente os norte-americanos, acusam o governo de al-Sisi de usar agentes do serviço secreto para perseguir o italiano e de tê-lo matado por achar que Regeni era um espião. Hoje, foi a vez do jornal britânico "The Times" fazer acusações contra o Estado egípcio, dizendo que a morte do estudante fez "surgir algo de podre" na organização do país. "O presidente al-Sisi prometeu a verdade à Itália, mas até o momento, houve apenas o ofuscamente do caso", criticou.

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