Investigação mundial revela contas ocultas de políticos e empresários

Eduardo Cunha, Mauricio Macri, Michel Platini e muitos outros são citadas

O WikiLeaks e o Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ) relevaram neste domingo (3) milhares de documentos sobre o funcionamento de empresas em paraísos fiscais e quantias enormes de dinheiro pertencentes a políticos, empresários, jogadores de futebol e famosos. Batizado de "Panama Papers", o caso conta com mais de 11,5 milhões de documentos, vindos do sistema da Mossack Fonseca, a quarta maior sociedade offshore do mundo, com sede no Panamá, e revelam como a empresa ajudou durante os últimos 40 anos alguns de seus clientes a lavar dinheiro.

No Brasil, os documentos relevam 107 novas offshores ligadas a pessoas citadas na Operação Lava Jato. Entre os políticos brasileiros citados direta ou indiretamente estão o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o usineiro e ex-deputado federal João Lyra (PTB-AL). O caso foi investigado por um ano por cerca de 400 jornalistas em 80 países. 

Os dados do escritório brasileiro da Mossack Fonseca já haviam sido alvos da operação Lava Jato, em sua 22ª fase, por causa do caso do suposto tríplex que seria do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Porém, o nome de Lula não foi encontrado nos registros da empresa.  

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De acordo com a investigação, o ex-presidente da UEFA Michel Platini, o primeiro-ministro islandês, Sigmundur David Gunnlaugsson, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, o presidente russo, Vladimir Putin (o nome dele não é citado mas as investigações teriam apontado pessoas próximas), familiares do líder chinês Xi Jining, o ucraniano Petro Poroshenko, Pilar de Borbón, irmã do ex-rei espanhol Juan Carlos, o ator Jackie Chan, a família real saudita e autoridades do Paquistão estariam entre os beneficiados por offshores criadas por 214 mil empresas. 

No caso do presidente da Argentina, este, o pai Francisco e o irmão Mariano eram administradores da Fleg Trading Ltd., constituída nas Bahamas em 1998 e dissolvida em janeiro de 2009. Macri não citou seu vínculo com a Fleg Trading nas declarações patrimoniais de 2007 e 2008, quando era prefeito de Buenos Aires, mas declarou uma conta bancária no Merrill Lynch, nos Estados Unidos, com saldo de US$ 9,1 milhões em 2007 e US$ 5,9 milhões em 2008, além de US$ 500 mil em ativos no exterior em 2008, sem especificar origem e localização.

Messi mantém ativa uma empresa no Panamá, cujo único acionista é seu pai, a Mega Star Enterprises Inc. foi registrada no Panamá. 

Gunnlaugsson, primeiro-ministro da Islândia, e a mulher, Anna Sigurlaug Pálsdóttir, adquiriram peça marca luxemburguesa do banco islandês Landsbanki a empresa Wintris Inc., administrada pela Mossack Fonseca. De acordo com documentos assinados no ano passado pela mulher do primeiro-ministro, o casal utilizou a empresa para investir milhões de dólares herdados.

As investigações também incluem os irmãos Pedro e Agustín Almodóvar, que asseguraram que sua situação já está regularizada. O caso deles seria relacionado à direção dos dois na empresa Glen Valley Corporation, com sede nas Ilhas Virgens, que teve assinatura ativa entre março de 1991 e novembro de 1994. Os dois negaram participação direta ou indireta em qualquer offshore.

Os arquivos foram entregues por uma fonte ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" e são considerados a maior fuga de informação dos últimos tempos. A ICIJ, em parceria com veículos de mídia do mundo todo, promete lançar as informações gradualmente. 

* Com agência Ansa