Berço de revoltas, Tunísia celebra 5 anos da queda de Ben Ali

Em 2011, ditador foi derrubado pela Revolução de Jasmim

 A Tunísia celebra nesta quinta-feira, dia 14, o aniversário de cinco anos da queda do ditador Zine El Abidine Ben Ali, após uma revolução iniciada em 17 de dezembro de 2010, com o gesto desesperado do vendedor ambulante Mohamed Bouazizi, que ateou fogo no próprio corpo para protestar contra as condições econômicas locais e os abusos da polícia. 

Se o país africano não teve o mesmo destino de nações vizinhas, como Líbia e Egito, ou mais distantes, como Síria e Iêmen, e é o único que pode ser apresentado como um modelo de "primavera árabe", não são todos os tunisianos que concordam com essa interpretação. 

A cada 14 de janeiro, algumas vozes se levantam para comemorar a efeméride, enquanto outras se erguem para denunciar um "complô". Os argumentos a favor de uma tese ou outra não faltam, mas será função da História emitir um juízo definitivo. Permanece o fato de que a Revolução de Jasmim permitiu o desenvolvimento de eleições livres, promulgou uma nova Constituição, em 2014, e criou instituições estáveis e democráticas, culminando na entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2015 para o Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia. 

Mas, além de tudo isso, o país pagou um preço salgado em matéria de segurança e recessão econômica e, deixando de lado leituras simplistas ocidentais que veem a nação como palco de uma briga entre laicos e islâmicos - quando, na realidade, a sociedade local é muito mais complexa -, o poder político parece labutar para colocar de pé um governo eficiente. 

As reformas econômicas estão congeladas e o turismo sofreu uma dura queda provocada pelo terrorismo, que chacoalhou o país com três atentados no ano passado. Mas este é um fenômeno que ameaça a nação também de dentro, levando em conta as estatísticas que apontam a Tunísia como maior fornecedora de combatentes estrangeiros para áreas controladas pelo Estado Islâmico (EI), com cerca de 5,5 mil. 

Para sustentar o plano de desenvolvimento para o período entre 2016 e 2020, Túnis pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) um novo pacote de ajuda, após o término de uma intervenção de US$ 1,7 bilhão feita pela entidade. Em 2015, a taxa de crescimento foi de -1%, mas para 2016 a projeção é de uma expansão de 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB). 

Não obstante os muitos defeitos e objetivos não alcançados, a revolução tunisiana ao menos concedeu aos cidadãos a conquista da liberdade de expressão, incluindo na sua forma de crítica ao poder político, exercício antes inconcebível. Ela continua sendo a única estrela a brilhar, ainda que de maneira frágil, no mundo árabe. (ANSA)

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