Foreign Policy: O mundo de olho em Caracas

Estão todos preocupados com a proximidade das eleições da Venezuela 

O Jornal Foreign Policy publicou que pela primeira vez em mais de 15 anos, a supremacia do Partido Socialista Unido (PSVU), que tem dominado o poder legislador desde 1998, deve perder esta eleição nacional, apesar de controlar todo o sistema a seu favor. As causas disto seriam a Inflação galopante, a escassez de matérias-primas e os altos níveis de criminalidade, que  têm causado protestos de rua e massacrado o índice de aprovação do presidente Maduro, agora abaixo de 25 por cento. Ele enfrenta uma crise de confiança que o seu antecessor, Hugo Chavez, nunca experimentou. Este é o resultado de anos de má gestão econômica e repressão política.

Segundo a matéria do jornalista James Pagano, o problema é assegurar se o  PSVU não irá cair sem lutar. Sabemos que o partido se envolveu em manipulação eleitoral no passado, e há indícios de que já começou a fazer isso novamente. Eles nem se preocuparam em marcar  uma data para as eleições até a greve de fome de uma popular (e preso) figura da oposição, Leopoldo López. Por esse motivo, é essencial que os EUA e outras potências regionais façam todo o possível para garantir que eles não devem continuar no poder. Infelizmente, há uma tendência na América Latina em se fazer vista grossa à práticas anti-democráticas. 

Hoje, o presidente Maduro e o PSVU já começaram a colocar em prática suas táticas para a campanha. O governo proibiu a candidatura a reeleição dos políticos da oposição mais popular, o MUD (Mesa da Unidade Democrática), com apenas alguns meses para a eleição. Como as eleições chegando, a oposição pode esperar uma represália tática de Chávez: muito maior cobertura da imprensa, a utilização de recursos estatais para fazer campanha, e aumento das taxas em cima das vendas sobre bens de luxo. Dada a dimensão dos desafios que o PVSU enfrenta agora, o presidente Nicolás Maduro deve recorrer á outras técnicas, incluindo a violência.

Para finalizar, a notícia ressalta que os países com bom relacionamento com o governo de Caracas, que é o caso do Brasil,  devem assumir a liderança, não com retórica, mas com medidas concretas. Além de insistir em uma missão de observação eleitoral significativa, eles também devem interceder para que o presidente Maduro repense seu confronto com a Colômbia, permitindo assim figuras da oposição para concorrer às eleições, e repudiar quaisquer manobras pré-eleitorais de última hora. Dada a violência que recentemente eclodiram em protestos entre partidários da oposição e da polícia, um processo eleitoral justo e transparente assume uma importância adicional. Se os poderes principais da América Latina optarem por ficar em silêncio, o PSVU poderá orquestrar  mais livremente os escândalos  de fraude eleitoral que a região tem assistido nos últimos vinte anos. Outros políticos latino-americanos com ambições autoritárias tomarão partido.